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Como desenvolver negócios que solucionem os problemas globais e gerem receitas?

Uma das principais dificuldades das empresas iniciantes de base tecnológica ou não, as startups, é de encontrar um modelo de negócios que segundo definição do guru de empreendedorismo e inovação Steve Blank cita, seja “(…) escalável, repetitivo e lucrativo”

Contudo, crescer rapidamente, atingir curvas exponenciais de Retorno sobre Investimento (Return over Investment, ROI) ou ainda Retorno sobre o Patrimônio (Retorno on Equity, ROE) exige um maçante estudo e teste de mercado, a fim de mitigar os erros de produto, conceito e propósito inicial e apresentar algo que agregue valor ao mercado e aos usuários e que possibilite a startup ou empresa consolidada fechar as contas em cenário positivo.

As empresas, principalmente as startups, necessitam trabalhar a compreensão de problemas em um sentido amplo e sistêmico, a fim de entender as potencialidades de negócios que possam surgir a fim de solucionar tais dificuldades a ser identificadas, como na Saúde, Educação, Infraestrutura, Acessibilidade, Sistema financeiro, entre outros.

E problemas para empresas são sinônimo de oportunidades de gerar negócios. Mas, mais do que isso. De fazer a diferença.

E esta maneira de fazer a diferença é solucionar estas mazelas através de empresas que compreendam o problema, proporcionem produtos e serviços inclusivos e que sejam ofertados para uma população de baixa renda ou base da pirâmide, classes C, D e E.

Desta maneira, empresas conseguem gerar receita para si, focando produtos e serviços de qualidade para pessoas que antes pagariam muito mais para ter acesso a estes serviços e proporcionam acesso e oportunidade para classes menos abastadas. Na outra ponta, ganham em escala, potencializando as benéfices futuras tanto do lado da empresa quanto do lado dos serviços ofertados.

Em cenário de enfrentamento de uma das maiores dificuldades globais de todos os tempos, a pandemia do coronavírus, temos ainda as incertezas de ações concretas na luta de mudanças climáticas. Isso traz cada vez mais para um diálogo na mesa de investidores a oportunidade de desenvolver empresas mais “humanas”, com grau de preocupação elevada em ser socialmente e ambientalmente responsáveis, mas também aplicando estruturas de governança corporativa e tecnologias que permitam atingir resultados que gerem cada vez mais impacto social.

Empresas que caracterizam este perfil – os negócios de impacto – vem crescendo ano após ano, sendo que infelizmente ainda enfrentamos muitos problemas sociais que setor público e entidades não governamentais não conseguem solucionar.

Só que este cenário de problemas em diversos setores não é apenas um contexto nacional. E dinheiro para desenvolvimento de projetos para este tipo de empresa e objetivos não falta.

A Global Impact Investing Network (GIIN) publicou o 2020 Annual Impact Investor Survey, trazendo dados que citam que os negócios de impacto estão em um mercado global estimado em US$ 715 bilhões.

E corroborando este cenário temos a mudança das perspectivas de fundos globais de investimento procurando cada vez mais oportunidades em iniciativas que abracem processos e estruturas focadas em meio ambiente, social, e governança (ESG, em inglês environmental, social, governance).

Já o Fórum Econômico Mundial (World Economic Forum) que vem pontuando a importância e relevância da adoção de tecnologias disruptivas para escalar as soluções e torná-las mais democráticas, cita a Indústria 4.0/Revolução Industrial 4.0 considerando além dos aspectos ambiental, social e de governança, a tecnologia, como importante aspecto a ser considerado por estes fundos de investimento.

Imagem: Andrea Bonime-Blanc

E corroborando com os objetivos de uma empresa social ou negócio de impacto, a Deloitte apresenta um estudo entre a sinergia de um conjunto de atributos: Propósito, Potencial e Perspectiva, com as premissas em consonância de atitudes e ferramentas que aliam Tecnologia e Humanidade.

Estes aspectos e preocupações a nível social e ambiental, atrelados ao maior potencial de escala e alcance, com uso de tecnologias que hoje estão ao nosso alcance para democratizar o acesso, digitizar e digitalizar serviços e trabalhar para um bem comum a fim de mitigar os maiores problemas que o globo enfrenta, são atestados pela Agenda 2030 da Organização das Nações Unidas (ONU).

A Agenda 2030 é um documento oficial da ONU que estipulou em 25 de Setembro de 2015 um novo desafio para o mundo, um upgrade do Objetivo de Desenvolvimento do Milênio (ODM), contando agora com 17 Objetivos estruturados em setores e pilares ambientais, sociais, econômicos e parcerias estratégicas.

As 169 novas metas para os mais de 193 países e territórios consta desafios a serem alcançados até 2030, sendo 17 Macro-Objetivos principais:

1) Erradicação da Pobreza
2) Fome Zero e Agricultura Sustentável
3) Saúde e Bem-estar
4) Educação de Qualidade
5) Igualdade de Gênedo
6) Água Potável e Saneamento
7) Energia Limpa e Acessível
8) Trabalho Decente e Crescimento Econômico
9) Indústria, Inovação e Infraestrutura
10) Redução das Desigualdades
11) Cidades e Comunidades Sustentáveis
12) Consumo e Produção Responsáveis
13) Ação Contra a Mudança Global do Clima
14) Vida na Água 
15) Vida Terrestre
16) Paz, Justiça e Instituições Eficazes
17) Parcerias e Implementação

Fonte: Organização das Nações Unidas

Todos estes objetivos estão em sinergia, sendo que convergem com as dimensões do desenvolvimento sustentável e os 5 P´s: Pessoas, Prosperidade, Paz, Parcerias e Planeta dentre os foco-chave de estratégias e ações ambientais, sociais e econômicas, tendo as parcerias estratégicas entre stakeholders o fator crucial para implementação dos mesmos a fim de alcançar as metas pré-estabelecidas para cada objetivo.

Traduzido e adaptado de Jerker Lokrantz/Azote. Elaborado por Matheus Pinheiro de Oliveira e Silva.

Se os objetivos de uma empresa privada é lucrar e distribuir seus dividendos, para negócios de impacto social muitas vezes o propósito e core business, ou seja, a razão da existência da empresa está atrelado a gerar impacto social que será o meio para alavancar negócios e assim haver distribuição de dividendos ou não, a depender de como as estratégias da empresa se constituirá.


Muitos projetos e negócios de impacto tem o desafio de mostrarem-se seu lado mais humano e acolhedor juntamente com o cliente e usuário, mas também devem ter conhecimento tácito e abrangente de gestão, para suprir as demandas internas de controle de ativos e passivos a fim de escalar o impacto e fazer a “engrenagem girar”.

Como você percebeu e certamente já viveu ou visualizou em algum momento, temos muitos desafios sociais, econômicos, ambientais e de âmbito de interesses de stakeholders e governança corporativa. Estas barreiras agravam ainda mais por uma urgência de democratizar e escalar as soluções, seja por um complexo desafio sanitário que a pandemia acentuou nos tempos modernos, seja pelo contínuo desenvolvimento e melhorias de adoções tecnológicas em nossas vidas.


Fato que o tempo urge não somente para pensarmos em estruturas que possam utilizar tecnologia como meio para escalar soluções, mas empresas que não vejam que o resultado final está resumido somente em dividendos e bônus mais robustos, mas sim um trabalho com equidade, prezando pela diversidade e que tenha um propósito maior para solucionar os maiores problemas globais e partir disso ter resultados econômicos sustentáveis para continuar a realizar este impacto.

E você? Qual é seu próximo passo a fim de deixar um legado positivo no mundo?

Matheus Pinheiro de Oliveira e Silva, líder do Chapter de Guarulhos, sócio-diretor na Meraki Group e Executivo de Investimento Imobiliário na Vitacon

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Futurismo, inovação e tecnologia, qual o caminho para inovar na prática?

Para aqueles que buscam bases bibliográficas, referências ou fontes teóricas, fica o aviso: talvez este artigo não seja pra você. Esta leitura é para aqueles que queiram aprender na prática, através da percepção das empresas e da vivência sobre o tema.

A palavra inovação evoca um certo misticismo e alvoroço no mundo corporativo, ecoando palavras de afirmação e tecnologias da moda, como inteligência artificial, machine learning e IOT. Em cada esquina é possível encontrar uma consultoria que se autoproclama inovadora e vende a “receita de bolo” para que grandes empresas se tornem a próxima SpaceX, Uber ou Netflix, como se isso fosse rápido e tangível.

Muito cacique para pouco índio – Durante debates, palestras e fóruns sobre o tema é comum vir à tona exemplos futurísticos de forma distorcida e simplória, divulgando que qualquer pessoa ou empresa possa se tornar o próximo unicórnio. Mas como funciona na prática? Quais são as histórias que essas pessoas não contam e como obter resultados reais no curto, no médio e no longo prazo?

Longe dos palanques e dos cargos de LinkedIn, a realidade corporativa é particular. Inovar incomoda, não é algo natural do ser humano. Então, construir uma cultura, ganhar espaço e quebrar resistências, além de rotina e obrigação, se torna um trabalho de evangelização corporativa. Não basta o CEO querer, é papel de quem busca inovar conquistar as lideranças e a operação para que sejam patrocinadores e divulgadores de suas ações, e isso se faz com geração de valor.

O problema é que inovar é um processo lento e ousado, então os resultados demoram a chegar, além da necessidade de buscar atalhos para escapar das burocracias ou de encargos dispensáveis, o que pode deixar muita gente descontente. Por exemplo, imagine promover a mudança de cultura e comportamento, dando liberdade com responsabilidades para seus colaboradores, mas a área de compliance não permite acessar nenhum site externo ou qualquer tipo de conexão dos computadores da empresa usando uma conta pessoal.

Quanto mais tradicional a empresa, maiores serão os “fardos corporativos” que precisarão ser superados, é uma questão de tempo. Apesar disso, estar dentro de uma companhia já estabelecida proporciona uma série de benefícios que uma startup geralmente não tem para escalar e testar iniciativas de forma rápida e eficiente, como: clientes, centros de distribuição, negociação de insumos, branding e todos os seus departamentos administrativos para fazer usufruto.

Discutindo o sexo dos anjos – Existe uma confusão natural entre o que é inovação, tecnologia e futurismo. É comum pensar que para inovar, precisa ser algo super tecnológico como ir para marte ou criar um novo tipo de celular, então é importante dissecarmos o assunto entendendo o que é cada um deles.

Futurismo é uma forma de estudo baseado em análises comportamentais da sociedade, evidências históricas, tecnológicas e científicas, pelo qual orienta entidades, empresas e governos em novas possibilidades, ou ao menos para que se prepararem para esse possível futuro. Estes estudos serão o âmago para continuar inovando e impulsionando negócios em direção à um futuro sem escassez.

Criar algo novo que não gera valor percebido não é inovação, é apenas uma invenção. Inovar significa, gerar valor. De maneira bem simplista, inovação é a entrega de valor através de melhorias de processo, produto ou tecnologia, que impacte diretamente o resultado de alguém ou alguma empresa de forma escalável.

Você pode estar se perguntando qual caminho seguir: inovação, futurismo ou tecnologia? Não existe certo ou errado no campo da inovação, mas apenas caminhos a se seguir. Assim como uma pequena embarcação no meio do oceano, é necessário prestar atenção no trajeto e corrigir a rota para garantir o rumo do seu percurso. Em outras palavras, o que vai te trazer resultado não será necessariamente seu objetivo fim, mas a jornada de longo prazo e as pérolas que você conquistará no caminho.

Tem como inovar com pouco investimento? – Investimento é importante, mas não pode ser desculpa para deixar de inovar. Independente da situação que você se encontra, seja de dor ou de oportunidade, a resposta para inovar é a mesma: propósito, pessoas e foco.

Agir e pensar diferente, mudar comportamentos, processos, cultura e os famosos ditados populares como “sempre fiz assim e deu certo” ou “em time que está ganhando não se mexe” são essenciais para quebrar as falsas dicotomias e geralmente requer investimento zero.

Preciso da Skynet para dominar o mundo? – Não, embora a tecnologia seja importante para escalar o negócio, reduzir drasticamente os custos, melhorar o desempenho e estabelecer padrões, é crucial compreender que a tecnologia não é necessariamente o fim, mas o meio para que a inovação aconteça. E que o aspecto mais importante da inovação são as pessoas, pois são elas que transformam empresas, criam tecnologias e impactam o mundo.

Enfim, a conclusão – Pensando em alcançar uma oportunidade de crescimento e responder às ameaças de morte, as empresas investem pesado em inovação, mas esquecem de transformar seus comportamentos e tomar atitudes. Comece pequeno, erre rápido e barato entregando valor com melhorias simples de processos.

Construir uma cultura e propósito sólidos, buscar e cativar talentos, identificar as oportunidades certas e possuir embasamento tecnológico irá gerar um ambiente propício para a inovação corporativa, mas o resultado só chegará quando as mentalidades, os processos e as políticas de toda a empresa forem influenciadas positivamente pelos inovadores. A gestão da inovação até pode ser uma área, porém a inovação tem que ser corporativa.

Kim Morise é gerente executivo de inovação no grupo Bild & Vitta

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As novas fronteiras competitivas na economia de serviços digitais

Quais são os fatores-chave para a longevidade das empresas na transição para a nova dinâmica competitiva dos mercados?

Desde o início de nossa civilização, as transições no composto sociocultural de uma sociedade são sempre antecipadas pela disponibilidade de novas tecnologias. Os saltos tecnológicos remodelam as atitudes dos indivíduos, que acabam por redefinir as características do comportamento coletivo. Os novos comportamentos, por sua vez, redefinem as apólices econômicas.

Em uma nova dinâmica econômica, a sociedade se reorganiza sócio culturalmente. Assim, a cada ciclo, as empresas de maior sucesso são, geralmente, aquelas que rapidamente se tornam mais hábeis em lidar com as tecnologias definidoras de sua época seja criando sentido de uso em um nível pessoal para o indivíduo (novos produtos e serviços, por exemplo) ou combinando-as de maneiras inovadoras de forma a gerar maiores ganhos nos diferentes processos produtivos. Em um mundo de incertezas sobre como, de fato, será o novo estado normal da competição nos mercados, é importante estabelecer uma abordagem que garanta a liderança neste contexto. Como os líderes podem superar o momento de transição que vivemos?

De uma maneira simples, podemos convencionar pelo menos duas premissas. A primeira delas é a compreensão da magnitude da inteligencia artificial (IA) como tecnologia definidora desta época e a imprescindibilidade de dominá-la como essencial neste cenário. Assim, a habilidade de interação e co-criação das empresas junto à IA, é a competência a ser incorporada no sistema nervoso das organizações. A segunda premissa é o alinhamento estratégico com o Zeitgeist da nossa sociedade neste século: a entrega de valor personalizado. Os negócios de uma forma geral estão, cada vez mais, voltados para a construção de ativos de entrega de valor de forma personalizada aos clientes. Vivemos um momento de releitura renascentista pela ótica do capital em que o ser humano e suas necessidades vêm ao centro de tudo e cada micro-interação do indíviduo (mapeada pela tecnologia) é incorporada a uma modelagem comportamental conversível em mais faturamento e melhores margens para os negócios.

Para o economista austríaco Joseph A. Schumpeter, um dos grandes pensadores do último século cujo legado está construído especialmente  na interseção entre a inovação e o desenvolvimento do capitalismo, os grandes ciclos de progresso econômico aconteciam em ondas onde os empreendedores inovadores provocavam uma “Destruição Criativa” – fênomeno de desenvolvimento e disrupção causado pela ressignificação ou combinação inovadora de novas tecnologias – que, ao mesmo tempo em que destruía empresas e modelos de negócios antigos e ultrapassados, engendrava novos investimentos no processo competitivo. As inovações permitiam um ganho competitivo por um tempo finito e, nessas circunstâncias, se estabeleciam as grandes lideranças e se atingia os maiores patamares produtivos da economia.

Na perspectiva de competição externa, o que vivemos hoje é exatamente esse pensamento (basta olhar as inovações trazidas ao mercado nos últimos 20 anos em empresas como Apple, Google e Tesla). Contudo, a consciência deste momento histórico abrange algo para além dos mercados, é preciso entender os acontecimentos deste século de uma perspectiva evolutiva para o ser humano. Estamos vivendo um século de transição nos modelos de organização das dinâmicas sociais. A virtualização das experiências, das comunidades e do poderio econômico abre prescendentes ainda desconhecidos para a maioria.

Assim, pela ótica cultural, estamos vivendo uma fase de adaptação da nossa espécie, não apenas de mercados. Como iremos interagir com a tecnologia em níveis de decisões tão sutis nos anos à frente?

O domínio da IA como principal componente desta equação e principal catalisador das transformações nos ajudará a identificar oportunidades que nós hoje ainda nem conseguimos vislumbrar do ponto de vista de modelos de negócio.

Por essa razão, para surfar nos momentos de Destruição Criativa dos mercados, as empresas precisarão se tornar especialistas em fazê-la acontecer primeiro dentro de suas próprias estruturas. A receita da longevidade de uma companhia mudou. Suas competências, habilidades, produtos e serviços precisam ser mutáveis. Uma empresa nascida em 2020 pode, facilmente, evoluir seu modelo de diferentes formas até 2050 entregando produtos e serviços completamente diferentes do que entregava quando começou.

Os grandes líderes empresariais desta época serão experts em conduzir ciclos curtos de Destruição Criativa dentro de suas próprias organizações, provocando ondas de inovação que trazem vantagens competitivas. Contudo, a velocidade das organizações em preparar seus talentos para co-criar o futuro com a inteligência artificial é o grande dilema desta transição. Como a sua organização irá lidar com esta nova fronteira de competição no futuro é uma resposta que precisa ser dada hoje.

Fabricio Gimenes é empreendedor de negócios digitais e CEO da WHF® Design Company.

Maria Luisa Machado Leal é economista e sócia-fundadora da Agência de Inovações e Negócios (AIN).

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O equilíbrio entre planejamento estratégico e execução