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Economia e meio ambiente: impactos, relação e como aliar?

A busca por um futuro mais sustentável depende do que as organizações estão fazendo e enfrentando para equilibrar economia e meio ambiente, ou melhor, o crescimento econômico com a preservação do planeta.

É aí que a inovação desempenha um papel fundamental, oferecendo oportunidades para o desenvolvimento de soluções criativas e impactantes. 

E se a interseção entre economia e meio ambiente tornou-se uma discussão fundamental para as lideranças empresariais, bons líderes precisam estar atentos a esse tema.

A seguir, vamos compreender melhor sobre o assunto, entendendo como eles podem caminhar juntos e, principalmente, como os gestores fazem parte disso!

Leia também: Qual a importância do empreendedorismo sustentável nas empresas?

Economia e meio ambiente: entenda os papéis

Enquanto a economia busca impulsionar o crescimento e a prosperidade, o meio ambiente abriga os recursos naturais essenciais para a sobrevivência do planeta e das gerações futuras. 

Compreender os papéis desempenhados por cada um desses aspectos é fundamental para uma abordagem sustentável e equilibrada. Primeiro, vamos entendê-los individualmente para seguir com a discussão.

Economia

A economia desempenha um papel central na sociedade, impulsionando o desenvolvimento, a criação de empregos e a melhoria da qualidade de vida. 

No entanto, a forma como a economia é tradicionalmente conduzida pode resultar em impactos negativos no meio ambiente

O modelo de produção e consumo excessivo, baseado em recursos não renováveis e na geração de resíduos, coloca em risco a sustentabilidade do planeta. 

Apenas como uma estatística básica sobre esses problemas, vale lembrar: a humanidade produz mais de 2 bilhões de toneladas de lixo por ano, segundo a própria ONU.

No entanto, a economia também pode desempenhar um papel positivo na preservação do meio ambiente. 

A transição para uma economia verde, baseada em princípios de sustentabilidade e eficiência, abre caminho para novas oportunidades de negócios e inovação. 

Setores como energias renováveis, eficiência energética, reciclagem e tecnologias limpas têm um potencial significativo de crescimento econômico, ao mesmo tempo em que contribuem para a redução do impacto ambiental. Vamos falar ainda mais sobre isso.

Meio ambiente

O meio ambiente desempenha um papel fundamental na manutenção da vida na Terra. Os recursos naturais, como ar, água, solo, biodiversidade e clima, são essenciais para o equilíbrio dos ecossistemas e para o bem-estar humano. 

No entanto, as atividades humanas, incluindo a exploração de recursos naturais, a poluição e as mudanças climáticas, têm causado sérios danos ao meio ambiente, comprometendo sua capacidade de regeneração e colocando em risco a sustentabilidade do planeta.

A proteção e a preservação do meio ambiente são fundamentais para garantir um futuro sustentável. 

A adoção de práticas de uma “economia ambiental” que considere a conservação da biodiversidade, a redução das emissões de gases de efeito estufa e a promoção da economia circular é a estratégia necessária para mitigar os impactos.

Ao entender os papéis desempenhados pela economia e pelo meio ambiente, as lideranças empresariais podem buscar soluções que promovam o equilíbrio entre o crescimento econômico e a proteção ambiental. 

E a inovação desempenha um papel crucial nesse processo, impulsionando o desenvolvimento de tecnologias, práticas e modelos de negócio que conciliam prosperidade econômica com responsabilidade ambiental.

Como economia e meio ambiente se relacionam?

Então, chegamos à pergunta: como economia e meio ambiente se relacionam, finalmente?

A relação entre economia e meio ambiente é intrínseca e complexa. 

Enquanto a economia depende dos recursos naturais e dos serviços ecossistêmicos para sustentar seu funcionamento, o meio ambiente é afetado pelas atividades econômicas e pelo modelo de desenvolvimento adotado. 

E somente quando se reconhece essa interconexão é possível promover um futuro sustentável.

Vamos a um exemplo real: escassez de recursos naturais. 

À medida que a demanda por matérias-primas aumenta, como minerais e combustíveis fósseis, é necessário explorar áreas mais remotas e utilizar métodos de extração mais intensivos, o que pode resultar em danos ambientais significativos. 

A degradação de ecossistemas, a poluição do ar e da água, e a perda de biodiversidade são apenas algumas das consequências diretas dessa exploração desenfreada.

Essa falta de consideração pelos impactos ambientais pode gerar riscos financeiros e econômicos. 

Eventos climáticos extremos, por exemplo, podem causar prejuízos significativos para a economia, como danos a infraestruturas, perdas na produção agrícola e interrupção de cadeias de abastecimento.

 Além disso, as regulamentações ambientais cada vez mais rigorosas podem afetar a competitividade das empresas que não se adaptam às exigências de sustentabilidade.

No entanto, é importante ressaltar que a relação entre economia e meio ambiente não precisa ser necessariamente conflituosa. 

Pelo contrário, uma abordagem sustentável pode gerar oportunidades econômicas e benefícios para a sociedade. 

A transição para fontes de energia limpa, por exemplo, pode impulsionar a criação de empregos verdes e estimular o crescimento econômico. 

Além disso, a adoção de práticas de produção mais eficientes e a implementação de estratégias de economia circular podem gerar redução de custos e maior eficiência empresarial.

E nesse processo, as lideranças devem dar a devida importância a uma abordagem integrada, em que a sustentabilidade ambiental seja considerada como um componente essencial para o sucesso econômico a longo prazo.

Como a economia afeta o meio ambiente?

Como dito, a relação entre economia e meio ambiente nem sempre é equilibrada, e as atividades econômicas podem ter impactos significativos no meio ambiente. 

É essencial compreender mais aprofundadamente esses impactos para buscar soluções que promovam a sustentabilidade. 

A seguir, vamos explorar alguns dos principais impactos da economia no meio ambiente!

Emissões de gases de efeito estufa

As atividades econômicas, como a queima de combustíveis fósseis na indústria, transporte e geração de energia, são uma das principais fontes de emissões de gases de efeito estufa. 

Essas emissões contribuem para o aquecimento global e as mudanças climáticas, resultando em impactos como o aumento das temperaturas, eventos climáticos extremos e o derretimento das calotas polares. 

O relatório dos Indicadores das Mudanças Climáticas Globais 2022, inclusive, informou que foi chegado a um nível recorde de gases de efeito estufa, que equivale a 54 bilhões de toneladas de dióxido de carbono anuais.

Desmatamento e perda de biodiversidade

A expansão de atividades econômicas, como a agricultura e a exploração madeireira, tem levado ao desmatamento de florestas em todo o mundo. 

Esse desmatamento não apenas causa a perda de habitats naturais, mas também contribui para a perda de biodiversidade, colocando em risco espécies vegetais e animais.

Em 2021, por exemplo, o estudo da Global Forest Watch mostrou que o Brasil liderava o ranking mundial de desmatamento florestal. Foram 1,5 milhão de hectares de bioma nativo perdidos nesse ano.

A preservação das florestas e o estabelecimento de práticas agrícolas sustentáveis são essenciais para proteger a biodiversidade e os serviços ecossistêmicos.

Poluição do ar e da água 

As atividades econômicas podem gerar poluentes que afetam a qualidade do ar e da água. Emissões industriais, resíduos químicos e descarte inadequado de resíduos sólidos podem causar poluição do ar e da água, prejudicando a saúde humana e os ecossistemas. 

Um exemplo desses efeitos (no contexto nacional) foi trazido pelo Barômetro de Transformação Ecológica: 87% dos brasileiros afirmaram ter adoecido por poluição da água, do ar e do solo.

A implementação de tecnologias mais limpas, a gestão adequada de resíduos e a promoção de práticas sustentáveis são medidas essenciais para reduzir a poluição.

Contaminação do solo

A atividade econômica, especialmente a indústria química e o setor agrícola, pode levar à contaminação do solo. 

O uso indiscriminado de pesticidas e fertilizantes químicos na agricultura, bem como o descarte inadequado de resíduos industriais, podem contaminar o solo com substâncias tóxicas. 

Essa contaminação compromete a qualidade e a fertilidade do solo, afetando a produção de alimentos, a saúde humana e a biodiversidade. 

Como consequência, 30% dos solos do mundo já estão degradados, como afirma o estudo coordenado pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), que resultou no livro Estado da Arte do Recurso Solo no Mundo.

A promoção de práticas agrícolas sustentáveis, como a agricultura orgânica e a gestão adequada de resíduos industriais, é fundamental para mitigar esse impacto.

É importante destacar que esses impactos não são isolados, mas estão interconectados. Por exemplo, o desmatamento pode levar à perda de biodiversidade, à redução da absorção de carbono e à erosão do solo. 

Compreender essas interações complexas é essencial para promover abordagens integradas que busquem a harmonia entre a economia e o meio ambiente.

O que é sustentabilidade econômica?

E, diante de tantos problemas, chegamos a um termo que parece ser uma saída interessante: sustentabilidade econômica.

Ela visa equilibrar o crescimento econômico com a preservação dos recursos naturais e o bem-estar das comunidades, garantindo um futuro viável e resiliente.

A sustentabilidade econômica vai além de simplesmente maximizar os lucros a curto prazo. Ela envolve a adoção de práticas e estratégias que considerem os impactos ambientais, sociais e éticos das atividades econômicas. 

É uma abordagem que busca conciliar os objetivos econômicos com a proteção e a regeneração do meio ambiente, promovendo a equidade social e a prosperidade a longo prazo.

Nesse contexto, a sustentabilidade econômica envolve a implementação de medidas como a redução do consumo de recursos não renováveis, a eficiência energética, o uso responsável dos recursos naturais, a promoção da economia circular e o respeito aos direitos humanos. 

Ela também incentiva a inovação e o desenvolvimento de soluções tecnológicas que contribuam para um futuro mais sustentável.

Além disso, ela envolve a consideração dos impactos socioeconômicos das atividades econômicas. Isso inclui garantir condições de trabalho justas, promover a inclusão social, apoiar comunidades locais e buscar parcerias colaborativas.

Uma economia verde leva em conta o bem-estar das pessoas, tanto no presente como nas gerações futuras. A busca pela sustentabilidade econômica é um desafio e uma oportunidade para as lideranças. 

Mas, ao adotar práticas sustentáveis em seus negócios, elas não apenas contribuem para a preservação do meio ambiente, elas também fortalecem a reputação da empresa, criam vantagem competitiva e estabelecem relações mais sólidas com clientes e sociedade.

É um caminho que leva a uma economia mais resiliente, inovadora e equitativa.

Desenvolvimento sustentável: é possível?

Diante dos desafios ambientais e sociais que o mundo enfrenta, o conceito de desenvolvimento sustentável surge como uma abordagem que busca conciliar o progresso econômico com a preservação dos recursos naturais e o bem-estar das gerações presentes e futuras. 

Mas será que é realmente possível alcançar o desenvolvimento sustentável?

A resposta é, felizmente, sim. 

O desenvolvimento sustentável é viável quando adotamos uma abordagem integrada, que considera os aspectos econômicos, sociais e ambientais de forma equilibrada. 

Há uma grande importância da economia ambiental.

Isso requer uma mudança de paradigma, onde o crescimento econômico não é mais visto como um fim em si mesmo, mas sim como um meio para alcançar uma sociedade próspera e sustentável.

O desenvolvimento sustentável não é apenas uma utopia: é uma necessidade urgente. Estamos falando de uma peça-chave para enfrentar os desafios globais, promover a equidade social, preservar os recursos naturais e garantir um futuro melhor.

Como aliar crescimento econômico e meio ambiente?

Para tornar o desenvolvimento sustentável uma realidade, é necessário adotar uma série de medidas e estratégias. Isso inclui:

  1. integração dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS): os ODS estabelecidos pelas Nações Unidas oferecem uma visão abrangente e integrada dos desafios globais, abordando questões como erradicação da pobreza, igualdade de gênero, energia limpa, consumo responsável, entre outros. A implementação dos ODS requer a colaboração de diversos atores, incluindo governos, empresas, organizações da sociedade civil e indivíduo;
  2. adoção de práticas empresariais sustentáveis: os negócios desempenham um papel fundamental na promoção do desenvolvimento sustentável. Ao adotar essas práticas, a partir de uma governança ESG, como a redução do consumo de recursos, a gestão adequada de resíduos, a promoção da diversidade e inclusão, e a transparência nas cadeias de suprimentos, elas podem contribuir para a construção de uma economia mais sustentável;
  3. investimento em inovação e tecnologia: essa dupla desempenha um papel crucial no caminho para o desenvolvimento sustentável. Novas tecnologias e soluções inovadoras podem impulsionar a eficiência energética, a produção sustentável, o acesso a recursos limpos e renováveis, e a criação de modelos de negócios mais sustentáveis. A busca por soluções tecnológicas e a promoção da pesquisa e desenvolvimento são fundamentais nesse processo.

Embora o caminho para o desenvolvimento sustentável possa apresentar desafios, é fundamental acreditar na possibilidade de alcançá-lo. 

Economia Exponencial

Conclusão

Em um mundo em constante transformação, onde a interdependência entre economia e meio ambiente se torna cada vez mais evidente, é fundamental que as lideranças assumam um papel de destaque na busca por soluções sustentáveis. 

A sustentabilidade deixou de ser apenas uma tendência e passou a ser uma necessidade para a sobrevivência dos negócios e para a construção de uma sociedade mais justa e saudável.

E a inovação desempenha um papel crucial nesse processo, impulsionando o desenvolvimento de tecnologias e soluções que contribuem para a sustentabilidade econômica e ambiental. 

A busca por modelos de negócios circulares, o investimento em energias renováveis, a redução do consumo de recursos e a promoção da responsabilidade social são apenas alguns exemplos das iniciativas que podem ser adotadas.

Nesse caminho, líderes visionários e comprometidos são essenciais: se mostram capazes de engajar suas equipes, promover uma cultura organizacional sustentável e influenciar positivamente as decisões estratégicas.

A transição para uma economia mais verde e sustentável não é um caminho fácil, mas é um caminho necessário. E entender como a economia pode transformar isso é o caminho. Conheça o curso de Economia Exponencial e faça parte da transformação!

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O que são Deep Techs e como vão impactar o futuro?

As Deep Techs são negócios, geralmente startups, que buscam desenvolver novas tecnologias, a partir de testes e pesquisas aprofundadas, tentando trazer soluções de alto impacto para a sociedade

Também chamadas de HardTech, são consideradas a nova onda da inovação. Estes tipos de negócio propõem soluções inéditas para desafios complexos e buscam impulsionar a transformação de vários setores sociais, incluindo as partes de biotecnologia, computação e engenharia. 

Diferentemente das Deep Techs, hoje a indústria tecnologia geralmente utiliza tecnologias digitais de baixa complexidade de desenvolvimento, baseada em conhecimentos já testados e amplamente utilizados no mercado.

Por exemplo: startups que são plataformas de serviços (aquelas que conectam prestadores de serviço com o público alvo), se baseiam em conhecimentos de programação e modelos de negócio já testados e validados por muitas empresas. Elas também acabam tendo um custo menor de desenvolvimento. Algumas startups, que usam blockchain, IA e outras linguagens que já são muito difundidas, não necessariamente se encaixam no conceito de Deep Techs. 

Apesar de esse conceito ainda ser novo e fluido, segundo Ana Calçado, CEO da Wylinka, podemos dizer que as Deep Techs utilizam tecnologias de ponta, que misturam ‘bites e átomos’, ou seja, tem um componente físico, além do hardware (embora não seja uma regra), mas trabalha com um conhecimento de fronteira e que tem ciclos de desenvolvimento mais complexos e mais caros, com complexidades de regulação e impacto social.

Se trata de compreender como este tipo de novo modelo de negócio atua, principalmente em suas necessidades e lucros que não são imediatos. Atualmente, 62,5% dos departamentos de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (P&D+I) trabalham de forma distinta, de acordo com uma pesquisa realizada pela Beta-i Brasil. Por isso é tão importante passar a reconhecer as diferenças deste mercado.

Porque, com estes propósitos, as Deep Techs permitem que o desenvolvimento de produtos, ou modelos de negócios, tragam uma rede de complexidade diferente. Isso faz com que haja uma maior ação em busca de prioridades coletivas e planetárias, como um futuro mais sustentável. 

Para Ana Calçado, presidente da Wylinka, as Deep Techs tangibilizam as descobertas científicas, com o objetivo de desenvolver soluções pioneiras, capazes de auxiliar questões crônicas da sociedade.

“Promissores e em constante evolução, as deep techs são essenciais para enfrentar os maiores desafios atuais, como mudanças climáticas, doenças, produção de alimentos, desigualdade de acesso à educação, mobilidade, entre outros”, complementa.

Nesse sentido, a especialista listou abaixo alguns setores que estão (e serão) ainda mais impactados no futuro, por meio das Deep Techs, trazendo alguns exemplos deste fenômeno.

Meio ambiente 

As Deep Techs auxiliam arduamente no combate ao aquecimento global, uma vez que implementam matrizes de eficiência energética e energia limpa, além do desenvolvimento de cadeias de fornecimento sustentáveis e plataformas de apoio à economia circular. Essenciais para combater as mudanças climáticas e proteger o meio ambiente, elas também promovem a expansão dos modelos de crédito e a compensação de CO2.

A Re.Green é uma deep tech que nasceu com o objetivo de restaurar florestas tropicais em larga escala. O foco principal é restaurar um milhão de hectares na Amazônia e Mata Atlântica e, com isso, capturar 15 milhões de toneladas de carbono por ano, ao mesmo tempo que estão conservando a biodiversidade e capacitando a comunidade local.

Os projetos estão localizados em Eunápolis e Potiraguá na Bahia. Um dos diferenciais do trabalho é um sistema atualizado e mais confiável para contabilizar os créditos de carbono gerados pelo reflorestamento, o que tem sido um desafio para startups e iniciativas do setor.

Saúde digital

Profundas transformações são provocadas na sociedade com a chegada da tecnologia. Logo, as Deep Techs democratizam o acesso da população à serviços médicos, e até auxiliam no tratamento de doenças, ao passo que identificam fatores sociais e ambientais do paciente pela fala durante a consulta. Ágil e personalizada, elas trazem, em especial, soluções avançadas para uma cura eficaz do paciente.

A Quantis é uma plataforma de alto desempenho para biomateriais humanos, focada em saúde que traz novas soluções para a área de medicina regenerativa e engenharia de tecidos. Utilizam-se das mais recentes pesquisas do setor em biotecnologia e incorporam os resultados para criar um método inédito de produção em alta escala de insumos bioidênticos de alta performance. Este, pode impactar os resultados de todos os setores ligados à saúde, medicina e cosmética. 

Mobilidade

Muito associada ao desenvolvimento de modelos de negócios mais justos, confiáveis e descentralizados, para a mobilidade urbana, as deep techs traz otimização do fluxo de pessoas em áreas de alta concentração populacional, fora a economia do compartilhamento, a exemplo dos aplicativos de entrega. Aqui, é possível observar o aumento de veículos autônomos não tripulados, que são constantemente utilizados para realização de inúmeras funções. 

A COPPE-UFRJ tem como objetivo obter um futuro mais sustentável sobre quatro rodas, investindo em ônibus não poluentes. Existem três protótipos de veículos elétricos que estão testando e, a partir destes modelos, a ideia é renovar toda a frota de coletivos de Maricá, região metropolitana do Rio de Janeiro, que hoje possui 125 veículos. A COPPE faz testes com os ônibus elétricos e calcula que 800 quilos de CO² deixarão de ser lançados na atmosfera. Os ônibus seguem em operação por cerca de dois anos para testes, o objetivo da novidade é poder se expandir para todos os ônibus do país. 

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Empreendedorismo Liderança

“Precisamos criar lideranças que consigam comunicar os valores e propósitos necessários”, destaca Fundador e CEO da Cacau Show

Propósito, comunicação e liderança são três aprendizados essenciais que Alexandre Costa, Fundador e CEO da Cacau Show, destacou na HSM+ 2022. O empreendedor, que esteve presente no Executive Program da SingularityU Brazil, dedicou vinte minutos de conversa conosco e suas temáticas giraram em torno de condutas para as conquistas que podemos ter em nossa vida.

“Entrega tudo” foi a frase que Alexandre repetidamente destacou em quase todos os momentos da conversa e que serviu como mantra para sua vida. Todos os processos, segundo o CEO da empresa, foram construídos com uma história conjunta, de objetivos, muito trabalho e, principalmente, sonhos.

De quebra da bolsa, problemas financeiros e crises, o que ficou “foi a vontade de fazer acontecer”. Esse papo, na íntegra, você confere na HSM Experience:

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Tecnologia

Aprenda como criar uma inteligência artificial

As inovações tecnológicas interferem diretamente como as organizações operam e se posicionam no mercado. E, no momento, a inteligência artificial é o cerne desse assunto.

Todo mundo que já leu sobre IA certamente tem uma noção de que ela tem um potencial gigantesco para impulsionar o crescimento e a eficiência dos negócios. 

No entanto, muitos líderes empresariais ainda estão se familiarizando com o tema e, por isso, se perguntam como criar sua uma inteligência artificial para atender às suas necessidades específicas. 

Neste artigo, vamos falar sobre esse tema, fornecendo insights e orientações para ajudar você a dar os primeiros passos nessa jornada rumo à inovação tecnológica. 

Prepare-se para mergulhar no universo da IA e descobrir como seu negócio pode se beneficiar dessa poderosa ferramenta!

Afinal, o que é inteligência artificial?

Inteligência artificial (IA) é um campo da ciência da computação que se concentra no desenvolvimento de sistemas capazes de realizar tarefas que normalmente requerem inteligência humana.

Ela envolve o uso de algoritmos e técnicas avançadas para permitir que máquinas aprendam, raciocinem, tomem decisões e interajam com o ambiente de maneira semelhante aos seres humanos.

De forma geral, ela tem 3 grandes técnicas envolvidas. Quais são elas? Aprendizado de máquina, Redes Neurais Artificiais e Processamento de Linguagem Natural. 

Veja a seguir.

  • Aprendizado de máquina (machine learning): é uma abordagem em que os sistemas são treinados em grandes conjuntos de dados para reconhecer padrões e aprender com eles. Os algoritmos de aprendizado de máquina são capazes de melhorar seu desempenho ao longo do tempo, ajustando seus parâmetros com base nos exemplos fornecidos;
  • Redes Neurais Artificiais: são modelos inspirados no funcionamento do cérebro humano, compostos por camadas de neurônios interconectados. Eles podem aprender a partir de dados de treinamento, identificando padrões e relacionamentos complexos. As redes neurais são amplamente utilizadas em tarefas como reconhecimento de imagens, processamento de linguagem natural e tomada de decisões;
  • Processamento de Linguagem Natural (Natural Language Processing – NLP): é uma área da IA que lida com a interação entre computadores e linguagem humana. Os sistemas de NLP são projetados para entender, interpretar e gerar linguagem natural, permitindo a comunicação efetiva entre humanos e máquinas.

No contexto empresarial, a inteligência artificial pode ser aplicada em diversas áreas, desde a automação de processos até a análise de dados complexos, permitindo insights valiosos para a tomada de decisões estratégicas.

Ela também possibilita que as organizações realizem tarefas de forma mais eficiente, melhorem a qualidade de produtos e serviços, personalizem experiências para os clientes e impulsionem a inovação. Mas veremos melhor mais a frente.

Entender o conceito de inteligência artificial é o primeiro passo para explorar seu potencial e encontrar oportunidades de aplicação em seu negócio.

Por que criar uma inteligência artificial?

Criar uma inteligência artificial pode trazer inúmeros benefícios e vantagens para as organizações, principalmente para as lideranças empresariais. 

Aqui estão algumas razões pelas quais investir na criação de uma IA pode ser altamente vantajoso:

  • eficiência operacional aprimorada: uma IA pode automatizar tarefas repetitivas e de baixo valor agregado, permitindo que os colaboradores se concentrem em atividades mais estratégicas. Isso resulta em um aumento significativo da eficiência operacional, redução de erros e otimização dos processos internos;
  • tomada de decisão embasada em dados: com uma IA bem desenvolvida, é possível coletar, processar e analisar grandes volumes de dados de forma rápida e precisa. Isso fornece insights valiosos para embasar as decisões empresariais, identificar tendências, antecipar demandas e identificar oportunidades de crescimento;
  • personalização e experiência do cliente aprimoradas: essa inteligência pode ser usada para entender melhor as preferências e necessidades dos clientes, permitindo a criação de experiências personalizadas e sob medida. Isso resulta em um maior engajamento do cliente, satisfação e fidelidade à marca.
  • melhoria da segurança e prevenção de fraudes: essa tecnologia pode ser aplicada para detectar atividades suspeitas, identificar possíveis ameaças de segurança e prevenir fraudes. Algoritmos avançados podem analisar comportamentos, padrões e anomalias, fornecendo uma camada adicional de proteção para os negócios;
  • inovação e competitividade no mercado: a capacidade de desenvolver e aplicar inteligência artificial de forma eficaz permite que as organizações se destaquem no mercado, impulsionando a inovação e a diferenciação. A IA pode abrir portas para novos produtos, serviços e modelos de negócios, permitindo que as empresas estejam na vanguarda da transformação digital.

Para resumir tudo que foi dito, então: criar uma inteligência artificial oferece oportunidades de melhorar a eficiência operacional, tomar decisões mais embasadas, aprimorar a experiência do cliente, fortalecer a segurança e impulsionar a inovação. 

Esses benefícios combinados, consequentemente, podem levar as lideranças empresariais a alcançar um maior sucesso e crescimento sustentável em um mercado cada vez mais competitivo e tecnológico.

5 exemplos de inteligência artificial

Os exemplos são muitos, mas, aqui, vamos trazer 5 que podem ilustrar como as organizações podem aproveitar ao criar uma IA.

  • atendimento ao cliente personalizado: muitas empresas estão utilizando IA para criar assistentes virtuais que podem interagir com os clientes, responder perguntas comuns e fornecer suporte personalizado. Esses assistentes virtuais são capazes de entender a linguagem natural, adaptar-se ao contexto e oferecer soluções rápidas e eficientes;
  • análise de dados avançada: a IA permite que as empresas processem grandes volumes de dados de maneira rápida e precisa. Algoritmos avançados podem identificar padrões, tendências e insights ocultos nos dados, ajudando as empresas a tomar decisões mais informadas e estratégicas;
  • manufatura e automação: essa tecnologia está sendo amplamente utilizada na indústria para melhorar a eficiência e a precisão dos processos de produção. Por meio de sistemas de visão computacional e robótica avançada, a IA é capaz de realizar tarefas complexas com alta precisão, reduzindo erros e aumentando a produtividade;
  • marketing e publicidade inteligente: ela também está revolucionando a forma como as empresas realizam campanhas de marketing e publicidade. Com base em análises de dados, a IA pode segmentar audiências, personalizar mensagens, otimizar campanhas e prever o comportamento do consumidor, maximizando o impacto das estratégias de marketing;
  • previsão e análise de demanda: a inteligência pode ajudar as empresas a prever a demanda futura com base em diversos fatores, como histórico de vendas, tendências do mercado, eventos sazonais e até mesmo condições climáticas. Essas previsões precisas permitem que as empresas ajustem seus estoques, planejem suas operações e atendam às necessidades dos clientes de forma mais eficiente.

Saber como criar inteligência artificial oferece oportunidades significativas para melhorar processos, aprimorar a tomada de decisões e impulsionar o crescimento. 

À medida que a tecnologia continua evoluindo, novas aplicações da IA estão surgindo e transformando a forma como as empresas operam em diversos setores.

Como criar uma inteligência artificial?

Finalmente, como criar uma inteligência artificial? É o que vamos ver nos passos a seguir!

Estude sobre IA e inovação

Para criar uma inteligência artificial, é fundamental iniciar estudando sobre IA e inovação. Isso pode ser feito por meio de cursos, workshops, treinamentos e por aí vai.

Aprofunde-se nos conceitos fundamentais, como aprendizado de máquina, algoritmos de IA e redes neurais. Sem isso, você dificilmente terá bons avanços, certo?

Também familiarize-se com os diferentes tipos de IA, como IA baseada em regras, IA simbólica e aprendizado de máquina. 

Outro ponto essencial é se manter atualizado sobre as últimas tendências e avanços nessa área em constante evolução.

Os cursos da Singularity Brazil são uma ótima opção para começar e aprofundar os estudos.

Defina o problema inicial do projeto

Na hora de fazer uma inteligência artificial, é importante definir claramente o problema inicial que você pretende resolver. Identifique os desafios específicos que sua empresa enfrenta e que podem se beneficiar do uso da IA.

 Analise os processos existentes, identifique as áreas que podem ser otimizadas ou aprimoradas por meio da automação ou da tomada de decisão baseada em dados. 

Aproveite também para criar metas claras e mensuráveis para o projeto de IA, para que você possa avaliar seu sucesso posteriormente.

Suponha que você seja o líder de uma empresa de varejo e esteja enfrentando um desafio com relação à previsão de demanda de produtos. 

Você pode definir o problema inicial como desenvolver um sistema de IA capaz de prever com maior precisão as vendas futuras, levando em consideração fatores sazonais, eventos especiais e comportamento do consumidor.

 Ao definir o problema dessa forma, você está estabelecendo uma meta específica e direcionando seus esforços para criar uma solução de IA que possa abordar essa questão específica de previsão de demanda.

Tenha uma estratégia na criação

O terceiro passo é ter uma estratégia bem definida. Isso envolve planejar como você irá desenvolver e implementar a IA, considerando recursos, prazos e objetivos. 

Defina as etapas do projeto, estabeleça as responsabilidades das equipes envolvidas e crie um cronograma realista. 

Além disso, é o momento de considerar os aspectos éticos e legais relacionados à IA, como a privacidade dos dados e a conformidade com regulamentos específicos.

Aqui, suponha que você seja um líder em uma empresa de assistência médica e deseje criar uma IA para auxiliar no diagnóstico médico. 

Sua estratégia pode envolver a formação de uma equipe multidisciplinar composta por médicos, cientistas de dados e engenheiros de software.

Você pode definir etapas como coleta e análise de dados médicos relevantes, desenvolvimento de algoritmos de aprendizado de máquina e criação de um protótipo funcional. 

Além disso, você deve considerar a conformidade com as regulamentações de proteção de dados, garantindo a privacidade dos pacientes e a segurança das informações médicas. 

Tenha em mente: uma estratégia clara permitirá que você conduza o projeto de forma eficiente e eficaz.

Decida se vai desenvolver ou usar uma IA pronta

Quando se está criando uma IA, você tem a opção de desenvolvê-la internamente ou usar uma IA pronta disponível no mercado. 

Essa decisão dependerá das necessidades específicas do seu negócio, recursos disponíveis e expertise da sua equipe.

 Desenvolver uma IA internamente pode oferecer maior controle e personalização, permitindo que você adapte a tecnologia às suas demandas específicas. 

Por outro lado, utilizar uma IA pronta pode acelerar o processo de implementação e reduzir custos, aproveitando as soluções já desenvolvidas por especialistas.

Imagine que você seja um líder em uma empresa de e-commerce e queira implementar uma IA para recomendação de produtos aos clientes. 

Você pode optar por desenvolver uma IA internamente, caso tenha uma equipe de cientistas de dados e engenheiros com habilidades relevantes, certo?

Isso permitiria que você criasse algoritmos personalizados e ajustasse a IA de acordo com as necessidades exclusivas da sua empresa. 

No entanto, se você tiver recursos limitados ou prazos restritos, também é possível optar por utilizar uma IA pronta, como um serviço de recomendação de terceiros. 

Isso permitiria que você se beneficiasse de soluções já consolidadas no mercado, economizando tempo e esforço na implementação da IA. 

A decisão dependerá das suas prioridades e da capacidade da sua empresa em desenvolver internamente a tecnologia necessária.

Continue acompanhando os resultados

Após implementar sua inteligência artificial, é essencial acompanhar de perto os resultados e realizar análises contínuas.

 Isso permite identificar possíveis ajustes, otimizar o desempenho e garantir que a IA esteja atingindo os objetivos estabelecidos. 

Avaliar os resultados também ajuda a identificar oportunidades de melhoria e identificar novas necessidades ou demandas que possam surgir ao longo do tempo.

Nesse caso, vamos pensar que você atua em uma empresa de atendimento ao cliente que tenha implementado um chatbot com IA para responder às perguntas dos clientes de forma automática. 

Ao acompanhar os resultados, você percebe que a taxa de satisfação dos clientes diminuiu significativamente após a implementação do chatbot.

Já ao analisar os dados e receber feedback dos clientes, você identifica que o chatbot não está compreendendo corretamente algumas perguntas complexas e fornecendo respostas imprecisas. 

Com base nesses insights, você realiza ajustes na IA, treina o modelo com mais dados e melhora a capacidade de compreensão e resposta do chatbot. 

Estar sempre observando os resultados é uma etapa fundamental para aperfeiçoar a IA, alinhar as expectativas e garantir que ela esteja alinhada com as metas e objetivos do negócio.

Quais plataformas servem para criar uma inteligência artificial?

Existem várias plataformas de inteligência artificial disponíveis que podem ser utilizadas para criar uma. 

Essas plataformas oferecem uma variedade de recursos e ferramentas que permitem aos desenvolvedores e equipes de negócios criar e implantar IA de forma mais eficiente. 

Alguns exemplos de plataformas populares são:

  1. TensorFlow: é uma biblioteca de software de código aberto amplamente utilizada para desenvolver modelos de IA, especialmente para aprendizado de máquina. Oferece suporte a diversas linguagens de programação e possui uma comunidade ativa;
  2. OpenAI: é uma plataforma que oferece modelos de inteligência artificial avançados e de código aberto, como o GPT-3, o DALL-E e o CLIP, que podem gerar textos, imagens e classificações a partir de linguagem natural;
  3. Google Cloud AI Platform: é uma plataforma de nuvem fornecida pelo Google, que oferece um conjunto de ferramentas para desenvolvimento e implantação de modelos de IA. Possui recursos avançados de aprendizado de máquina e oferece integração com outras ferramentas do ecossistema do Google.
  4. Caffe: é uma plataforma de código aberto que permite criar e treinar modelos de deep learning, especialmente para visão computacional e reconhecimento de imagem;
  5. Deeplearning4j: é uma plataforma de código aberto que permite criar e treinar modelos de deep learning em Java e Scala, usando redes neurais artificiais e algoritmos distribuídos.

Essas são apenas algumas das ferramentas de inteligência artificial disponíveis, e a escolha depende das necessidades específicas do projeto e dos recursos que melhor atendem aos objetivos da empresa.

Ou seja, é importante avaliar as funcionalidades, a facilidade de uso, a escalabilidade e o suporte oferecido por cada plataforma ao decidir qual delas utilizar para criar uma inteligência artificial, certo?

Conclusão

A criação de uma inteligência artificial pode ser desafiadora, mas com o conhecimento certo e uma abordagem estratégica, é possível alcançar resultados surpreendentes. 

Em um mundo cada vez mais digital e competitivo, a inteligência artificial se torna um diferencial estratégico para as empresas que buscam se destacar e se adaptar às demandas do mercado. 

Líderes precisam estar preparados para inovar, experimentar, aprender com os erros e continuar aprimorando sua IA ao longo do tempo.

O futuro está nas mãos daqueles que ousam criar e moldar a inteligência artificial de forma inteligente e responsável. Se você quer fazer parte dele, conheça o nosso programa Futur.e Me!

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Entenda o que é gestão de projetos e como ela pode ser eficiente

Em um universo dos negócios onde prazos são desafios constantes e resultados são o alvo, a gestão de projetos é uma poderosa ferramenta para o sucesso. 

Pode parecer um pouco dramático falar assim, mas o gerenciamento merece a devida atenção — e muitas vezes não leva.

Está se falando da habilidade de “ orquestrar”pessoas, recursos e ideias em prol de um objetivo comum que faz toda a diferença.

 Se você é um líder em busca de eficiência e resultados extraordinários, podemos ajudar você com esse tema nesse artigo.

Entenda o que é, quais são os benefícios que proporciona e como colocá-la em prática!

Afinal, o que é um projeto?

Primeiro, é essencial compreender o que exatamente significa a palavra “projeto”.

No contexto empresarial, um projeto é um empreendimento temporário com o objetivo de criar um produto, serviço ou resultado único. 

Ele é caracterizado por ser limitado no tempo, possuir um escopo bem definido e contar com recursos específicos. 

Basicamente, um projeto é como uma jornada estruturada, com etapas claras e um destino a ser alcançado. 

Por essa razão, pode envolver desde a construção de um novo prédio até o desenvolvimento de um novo software, mas o ponto central é que ele tem um começo e um fim determinados. 

Então, o que é gestão de projetos?

Agora, então, vamos entender o que é esse gerenciamento.

A gestão de projetos  se dedica a planejar, executar e gerenciar todas as etapas envolvidas em um projeto, com o objetivo de alcançar resultados bem-sucedidos. 

Para as lideranças, isso significa ter o controle total sobre as iniciativas estratégicas da organização, garantindo que sejam entregues dentro dos prazos, orçamentos e requisitos estabelecidos.

 É a capacidade de direcionar equipes, alocar recursos e tomar decisões assertivas que impulsiona a eficiência, minimiza riscos e maximiza os resultados obtidos em cada empreendimento. 

A gestão de projetos é a chave para transformar visões em realidade e conduzir a empresa ao sucesso em um ambiente dinâmico e desafiador.

A importância da gestão de projetos

A gestão de projetos desempenha um papel fundamental nas organizações, independentemente do setor ou tamanho. 

Ela envolve a aplicação de conhecimentos, habilidades, ferramentas e técnicas para planejar, executar e controlar os projetos de forma eficiente e eficaz. 

A importância dessa prática reside no fato de que ela permite às empresas alcançar resultados desejados, otimizar o uso de recursos, controlar riscos e atender aos prazos e orçamentos estabelecidos.

E para as lideranças empresariais, é ainda mais crucial. 

Mas por que?

É ela que permite que os líderes tenham uma visão clara e abrangente dos projetos em andamento, possibilitando a tomada de decisões estratégicas e o alinhamento dos projetos aos objetivos organizacionais. 

Além disso, a gestão de projetos capacita os líderes a coordenar equipes multidisciplinares, estabelecer metas realistas, monitorar o progresso e resolver desafios ao longo do caminho. 

Essa é uma habilidade essencial para as lideranças, pois garante a entrega bem-sucedida de projetos e impulsiona o sucesso geral da organização.

Quais são os benefícios da gestão de projetos?

A gestão de projetos oferece uma série de benefícios significativos para as organizações e suas lideranças. 

Ao adotar uma abordagem estruturada e eficaz para gerenciar projetos, é possível obter os seguintes benefícios:

  1. alinhamento estratégico: ela permite que os líderes alinhem os projetos com os objetivos estratégicos da organização. Isso garante que cada projeto contribua para o crescimento e o sucesso a longo prazo da empresa;
  2. otimização de recursos: com gerenciamento, os recursos, como tempo, dinheiro, equipe e materiais, são alocados de forma eficiente. Isso evita desperdícios e garante que os recursos sejam utilizados da melhor maneira possível;
  3. controle de prazos e orçamentos: ela ajuda a estabelecer prazos realistas e a controlar o progresso do projeto em relação a esses prazos. Além disso, ela permite um controle efetivo dos custos do projeto, evitando estouros orçamentários e garantindo uma gestão financeira adequada;
  4. gestão de riscos: a identificação e o gerenciamento de riscos são elementos essenciais. Os líderes podem antecipar possíveis obstáculos e tomar medidas proativas para mitigar os riscos, minimizando assim impactos negativos nos projetos;
  5. melhoria da comunicação e colaboração: ela promove uma comunicação clara e eficaz entre os membros da equipe e todas as partes interessadas. Isso facilita a colaboração, o alinhamento de expectativas e o compartilhamento de informações essenciais para o sucesso do projeto.

Esses benefícios não apenas melhoram a eficiência e a eficácia dos projetos, mas também fortalecem a liderança e a capacidade de entrega de resultados positivos — o que ajuda a organização como um todo.

Metodologias para a gestão de projetos

Metodologias para a gestão de projetos desempenham um papel fundamental na garantia do sucesso e na eficácia do trabalho realizado. 

Elas fornecem estruturas e abordagens sistemáticas para planejar, executar e controlar projetos de forma organizada. 

Existem duas categorias principais de metodologias de gestão de projetos: as clássicas e as ágeis. 

Cada uma delas possui características distintas que se adequam a diferentes contextos e necessidades empresariais.

Metodologias clássicas

As metodologias clássicas, como o modelo de cascata (waterfall) e o modelo de ciclo de vida em V, são baseadas em uma abordagem sequencial e linear. 

Elas seguem uma série de fases bem definidas, como análise de requisitos, design, desenvolvimento, testes e implementação. 

Vale dizer também que essas metodologias são adequadas para projetos com requisitos estáveis e bem definidos, em que é possível antecipar todas as etapas do projeto desde o início. 

No entanto, elas podem ser um tanto menos flexíveis quando há mudanças de requisitos durante o projeto.

Metodologias ágeis

As metodologias ágeis, como é o caso do Kanban, são caracterizadas por uma abordagem iterativa e incremental. 

Elas enfatizam a entrega de valor de forma rápida e contínua, por meio de ciclos curtos de trabalho chamados de iterações. 

A equipe de projeto colabora de forma mais flexível, respondendo a mudanças e adaptando-se aos requisitos em constante evolução. 

As metodologias ágeis são especialmente eficazes em projetos com requisitos voláteis e complexos, permitindo maior interação com os clientes e feedback contínuo ao longo do processo.

Qual é o ciclo de vida de um projeto?

O ciclo de vida de um projeto refere-se à sequência de fases e atividades que um projeto passa, desde a sua concepção até a sua conclusão.

Existem diferentes abordagens para o ciclo de vida de um projeto e cada uma com suas características e formas de gerenciamento. 

Há dois tipos principais de ciclo de vida: o ciclo de vida preditivo e o ciclo de vida adaptativo. Vamos explorar as características e vantagens de cada um deles.

Ciclo de vida preditivo

No ciclo de vida preditivo, também conhecido como ciclo de vida tradicional ou em cascata, as fases do projeto são planejadas e executadas de forma sequencial. 

Cada fase depende da conclusão da fase anterior, seguindo uma abordagem mais linear. As etapas comuns em um ciclo de vida preditivo incluem definição de requisitos, planejamento, execução, monitoramento e controle, e encerramento.

Essa abordagem é adequada quando o escopo do projeto é bem definido e as mudanças são mínimas. Então, quais são as situações usadas?

É comumente utilizado em projetos de engenharia, construção civil e indústrias com processos mais estáveis. 

Os benefícios do ciclo de vida preditivo incluem maior previsibilidade, planejamento mais detalhado e controle rigoroso sobre o progresso do projeto.

Ciclo de vida adaptativo

Por outro lado, o ciclo de vida adaptativo, também conhecido como ciclo de vida iterativo ou incremental, é caracterizado por um maior grau de flexibilidade e adaptabilidade às mudanças. 

Nesse tipo de abordagem, o projeto é dividido em iterações ou incrementos menores, permitindo a entrega de valor de forma mais rápida e contínua ao longo do tempo.

No ciclo de vida adaptativo, as fases do projeto são repetidas em ciclos sucessivos, com base no aprendizado e feedback obtidos em cada iteração. 

Isso permite uma maior colaboração entre os membros da equipe, adaptação a mudanças de requisitos e maior capacidade de resposta às necessidades do cliente ou do mercado.

Uma metodologia  utilizada no ciclo de vida adaptativo é o Scrum. Se você já ouviu falar, é porque ele é bem comum mesmo.

Essa alternativa se baseia em sprints de curta duração para entregar incrementos de valor de forma iterativa. 

Ela é mais aplicada em projetos de desenvolvimento de software, onde os requisitos podem evoluir ao longo do tempo.

Como fazer uma gestão de projetos eficiente?

Fazer uma gestão de projetos eficiente, apesar de ser importante, não é fácil, certo? Mas há alguns caminhos que tornam esse percurso mais simples.

A seguir, veja 4 dicas para isso.

Escolha a metodologia que mais faz sentido ao seu negócio

Ao iniciar um projeto, é fundamental escolher a metodologia de gestão que melhor se adequa às características do seu negócio e do projeto em si. 

Mas como fazer isso?

Considerando os requisitos, o escopo, a cultura organizacional e a capacidade de adaptação às mudanças. 

Seja um ciclo de vida preditivo ou adaptativo, a escolha correta da metodologia será essencial para orientar as atividades, processos e tomadas de decisão ao longo do projeto.

Sempre monitore os indicadores

Um aspecto crucial para um gerenciamento eficiente é o monitoramento constante dos indicadores de desempenho. 

É o momento de definir métricas e KPIs relevantes para o seu projeto e acompanhar regularmente o progresso em relação a esses indicadores. Isso permitirá identificar desvios, antecipar problemas e tomar ações corretivas de forma ágil. 

O uso de ferramentas de gestão de projetos e relatórios periódicos contribui para uma melhor visualização e análise dos resultados.

Revise o planejamento periodicamente

O planejamento inicial do projeto é importante, mas ele não deve ser estático.

À medida que o projeto avança, surgem novas informações, requisitos podem mudar e imprevistos podem ocorrer (essa deve ser uma premissa para toda execução de um planejamento, na verdade).

Portanto, é essencial realizar revisões periódicas do planejamento, reavaliar prazos, recursos, riscos e ajustar as estratégias conforme necessário. 

Essa prática garante que o projeto esteja alinhado com as expectativas e necessidades do cliente e permite uma melhor adaptação às mudanças do ambiente.

Invista na qualificação da equipe

A gestão de projetos eficiente depende também da qualificação da equipe envolvida. Certifique-se de que os membros da equipe possuam as habilidades e conhecimentos necessários para desempenhar suas funções de forma eficaz. 

Para isso também, o ideal é promover treinamentos, capacitações e o desenvolvimento contínuo dos profissionais, visando aprimorar suas competências técnicas e gerenciais.

 Uma equipe qualificada aumenta a eficiência, a produtividade e a capacidade de enfrentar os desafios do projeto.

Ao seguir essas práticas, você estará no caminho para uma gestão de projetos eficiente, que visa o alcance dos objetivos propostos, a entrega de valor e a satisfação do cliente. 

Lembre-se: cada projeto é único. A adaptação das abordagens e estratégias é essencial para lidar com as particularidades e desafios específicos de cada empreendimento.

Como a gestão de projetos pode se relacionar com inovação?

A gestão de projetos e a gestão da inovação estão intrinsecamente relacionadas, pois, quando adequada, pode impulsionar e facilitar o processo de inovação nas organizações. 

Esse gerenciamento oferece uma estrutura organizada para a implementação de ideias e produtos inovadores

Ele estabelece metodologias, processos e ferramentas que auxiliam na definição de objetivos, na identificação de requisitos, na alocação de recursos e no acompanhamento do progresso. 

Essa estrutura, então, gera um ambiente propício para a geração e execução de projetos 

inovadores.

Ao mesmo tempo, esse gerenciamento abrange a identificação e o gerenciamento de riscos.  E o que isso tem a ver?

No contexto da inovação, onde há maior incerteza e probabilidade de enfrentar desafios únicos, o gerenciamento de riscos se torna ainda mais crucial. 

Ao aplicar técnicas de gestão de projetos, como análise de riscos, planejamento de contingências e monitoramento contínuo, é possível mitigar os riscos associados à inovação e aumentar as chances de sucesso.

Conclusão

Esse assunto é um campo essencial para as lideranças empresariais que desejam impulsionar a inovação e alcançar o sucesso em seus empreendimentos. 

Ao compreender a importância da gestão de projetos, gestores podem aproveitar seu potencial para otimizar recursos, minimizar riscos e alcançar resultados consistentes. 

Através de metodologias adequadas, monitoramento de indicadores, revisão periódica de planejamento e investimento na capacitação da equipe, é possível garantir uma gestão eficiente que traga resultados positivos.

Como dito, ela também se relaciona diretamente com a inovação: fornece a estrutura necessária para transformar ideias em realidade, promove a colaboração entre equipes multidisciplinares e enfatiza a entrega de valor aos clientes. 

Ao adotar práticas sólidas de gestão de projetos, as empresas podem impulsionar o avanço, se destacar no mercado e se adaptar às demandas em constante evolução.

Se você quer estar a frente, aproveite para conhecer o Futur.e Me!

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“Esse exemplo de deep fake é apenas a ponta do iceberg do que iremos ver nos próximos anos”, destaca expert da SingularityU Brazil

O Deep Fake é um tipo de Inteligência Artificial que cada vez mais circula na nossa sociedade. Principalmente por conta do entretenimento, há várias maneiras de se utilizar deste instrumento tecnológico e que pode ser aproveitado também em diversas esferas sociais.

De questões políticas até propagandas comerciais, esta nova maneira de produzir conteúdos tem levantado várias questões éticas sobre direito a imagem, quem é a pessoa que se beneficia (em royalties) com esta realização e qual o limite para essa produção de conteúdo.

Nesta semana, a Volkswagen lançou uma campanha institucional sobre os 70 anos da empresa. Nela, Elis Regina, dirigindo uma Kombi de sua época, aparece junto de sua filha, Maria Rita, dirigindo uma Kombi mais recente e elétrica.

O par produz um dueto que emociona e toca os corações para quem entende a relação entre elas e se apega na realização entre mãe e filha. Alguns fazem críticas sobre o sentido de uso da música “Como nossos pais”, de Belchior, que dá liga entre o vínculo das duas personagens. Outros se perguntam se é correto utilizar imagem, corpo, movimentação e voz de alguém que não é mais presente.

Em meio a esta complexa relação com o produto comunicacional, o especialista em Inteligência Artificial da SingularityU Brazil, Alexandre Nascimento, nos concedeu uma entrevista sobre o caso. Em suas falas, o expert faz uma análise sobre o produto e ainda destaca algumas atenções necessárias.

Confira a entrevista na íntegra:

A propaganda da Volkswagen apresenta um bom exemplo do potencial do uso da IA na indústria criativa?

Alexandre Nascimento: Sim, é um excelente exemplo. O custo de fazer esse tipo de criação ficou muito menor e mais acessível, bem como o produto final está muito bem exec utado. Antes, o investimento necessário para fazer alguns efeitos era proibitivo (caro) para a maior parte dos anunciantes. Hoje, estamos vendo uma democratização e até comoditização de vários efeitos, que, portanto, passam a estar ao alcance de muitos, senão todos.

Mas vale ressaltar que esse exemplo é apenas a ponta do iceberg do que iremos ver nos próximos anos. A indústria publicitária vai ser completamente transformada com o uso da inteligência artificial, como tive o prazer de comentar recentemente numa entrevista que dei para o Meio & Mensagem (última questão).

Alexandre Nascimento é expert da Singularity University, com mais de 20 anos de experiência no desenvolvimento de produtos e plataformas tecnológicas inovadoras.
Alexandre Nascimento é expert da Singularity University, com mais de 20 anos de experiência no desenvolvimento de produtos e plataformas tecnológicas inovadoras.

Podemos chamar a peça publicitária de um “bom” exemplo quando se discute deep fake? Quais seriam os maus exemplos? Que tipo de dilema ético sobre “ressuscitar” pessoas com uso de IA a gente se depara em um momento como esse? Como podemos ter essa discussão?

Alexandre Nascimento: Do ponto de vista da criação: sim. Podemos dizer que é um bom exemplo. E, sem dúvida, quando vemos a utilização da mesma tecnologia para criar vídeos falsos, com pessoas dizendo algo que não disseram, em qualquer contexto que gere impressões negativas e opiniões sobre uma pessoa, que não fez algo e não disse o que foi criado, isso é extremamente preocupante. Infelizmente se tornou mais comum do que muitos podem acreditar. Tais recursos estão sendo utilizados há um bom tempo na política, na desinformação, e, para suportar teorias da conspiração, que criam sentimentos negativos e desinformação para o público em geral.

Mas, há um aspecto importante que vai além do “bom” uso sob a ótica da maravilha tecnológica a serviço da criação. De fato, desde 2019, há uma discussão muito grande sobre a nova indústria da imortalidade digital e principalmente seus aspectos éticos.

Em 2020, a Microsoft patenteou uma técnica que permite imortalizar alguma pessoa à partir de suas imagens e conteúdos deixados em redes sociais, permitindo que qualquer um de nós possamos ter uma versão eletrônica imortal. Do ponto de vista tecnológico, é espetacular. Do ponto de vista ético, há muita discussão.

Por exemplo, no caso do comercial, sem dúvida é uma belíssima peça publicitária, que provoca uma emoção muito positiva no público. Por outro lado, a Elise Regina não teve oportunidade de decidir pelo uso de sua imagem, pois imagino que ela não tenha deixado isso em um testamento ou em algum documento com seus desejos, de forma explícita, visto que seria muito difícil prever este estágio de desenvolvimento da tecnologia.

Então, há muita gente que questione mesmo este exemplo de boa utilização, quando se trata de associar uma pessoa falecida com uma marca ou com uma geração de conteúdo que tenha fins comerciais.

Trata-se de um assunto polêmico e muito complexo, em que eu mesmo tenho opinião dividida, pois os dois lados têm argumentos, muito bons inclusive. E, é esse tipo de paradoxo que estamos vivendo hoje e que é tema da apresentação que faço no xTech Legal da SU, onde membros do judiciário como juízes, promotores, analistas e desembargadores participam.

O fato é que começaremos a ver uma regulação desse tipo de coisa, e, provavelmente vamos ter que expressar nossos desejos de forma oficial sobre o que autorizamos a fazer com nossa imagem antes de morrermos. Por exemplo, eu não gostaria de que uma imagem digital minha fosse associada à algumas marcas que não admiro e que não tenho alinhamento de valores, mesmo que seja uma peça publicitária incrível e que desperte emoções positivas em todos. Trata-se de um desejo pessoal meu que eu quero que seja respeitado. Por outro lado, eu autorizaria o uso de minha imagem para outras organizações com propósitos que eu acredito.

Em suma, trata-se de um tema que está sendo fruto de discussão há alguns anos e vai perdurar.

O Deep Fake (embedar o texto anterior) é um tipo de Inteligência Artificial que cada vez mais circula na nossa sociedade. Principalmente por conta do entretenimento, há várias maneiras de se utilizar deste instrumento tecnológico e que pode ser aproveitado também em diversas esferas sociais.

De questões políticas até propagandas comerciais, esta nova maneira de produzir conteúdos tem levantado várias questões éticas sobre direito a imagem, quem é a pessoa que se beneficia (em royalties) com esta realização e qual o limite para essa produção de conteúdo.

Nesta semana, a Volkswagen lançou uma campanha institucional sobre os 70 anos da empresa. Nela, Elis Regina, dirigindo uma Kombi de sua época, aparece junto de sua filha, Maria Rita, dirigindo uma Kombi mais recente e elétrica.

O par produz um dueto que emociona e toca os corações para quem entende a relação entre elas e se apega na realização entre mãe e filha. Alguns fazem críticas sobre o sentido de uso da música “Como nossos pais”, de Belchior, que dá liga entre o vínculo das duas personagens. Outros se perguntam se é correto utilizar imagem, corpo, movimentação e voz de alguém que não é mais presente.

Em meio a esta complexa relação com o produto comunicacional, o especialista em Inteligência Artificial da SingularityU Brazil, Alexandre Nascimento, nos concedeu uma entrevista sobre o caso. Em suas falas, o expert faz uma análise sobre o produto e ainda destaca algumas atenções necessárias.

Confira a entrevista na íntegra:

A propaganda da Volkswagen apresenta um bom exemplo do potencial do uso da IA na indústria criativa?

Alexandre Nascimento: Sim, é um excelente exemplo. O custo de fazer esse tipo de criação ficou muito menor e mais acessível, bem como o produto final está muito bem exec utado. Antes, o investimento necessário para fazer alguns efeitos era proibitivo (caro) para a maior parte dos anunciantes. Hoje, estamos vendo uma democratização e até comoditização de vários efeitos, que, portanto, passam a estar ao alcance de muitos, senão todos.

Mas vale ressaltar que esse exemplo é apenas a ponta do iceberg do que iremos ver nos próximos anos. A indústria publicitária vai ser completamente transformada com o uso da inteligência artificial, como tive o prazer de comentar recentemente numa entrevista que dei para o Meio & Mensagem (última questão).

Podemos chamar a peça publicitária de um “bom” exemplo quando se discute deep fake? Quais seriam os maus exemplos? Que tipo de dilema ético sobre “ressuscitar” pessoas com uso de IA a gente se depara em um momento como esse? Como podemos ter essa discussão?

Alexandre Nascimento: Do ponto de vista da criação: sim. Podemos dizer que é um bom exemplo. E, sem dúvida, quando vemos a utilização da mesma tecnologia para criar vídeos falsos, com pessoas dizendo algo que não disseram, em qualquer contexto que gere impressões negativas e opiniões sobre uma pessoa, que não fez algo e não disse o que foi criado, isso é extremamente preocupante. Infelizmente se tornou mais comum do que muitos podem acreditar. Tais recursos estão sendo utilizados há um bom tempo na política, na desinformação, e, para suportar teorias da conspiração, que criam sentimentos negativos e desinformação para o público em geral.

Mas, há um aspecto importante que vai além do “bom” uso sob a ótica da maravilha tecnológica a serviço da criação. De fato, desde 2019, há uma discussão muito grande sobre a nova indústria da imortalidade digital e principalmente seus aspectos éticos.

Em 2020, a Microsoft patenteou uma técnica que permite imortalizar alguma pessoa à partir de suas imagens e conteúdos deixados em redes sociais, permitindo que qualquer um de nós possamos ter uma versão eletrônica imortal. Do ponto de vista tecnológico, é espetacular. Do ponto de vista ético, há muita discussão.

Por exemplo, no caso do comercial, sem dúvida é uma belíssima peça publicitária, que provoca uma emoção muito positiva no público. Por outro lado, a Elise Regina não teve oportunidade de decidir pelo uso de sua imagem, pois imagino que ela não tenha deixado isso em um testamento ou em algum documento com seus desejos, de forma explícita, visto que seria muito difícil prever este estágio de desenvolvimento da tecnologia.

Então, há muita gente que questione mesmo este exemplo de boa utilização, quando se trata de associar uma pessoa falecida com uma marca ou com uma geração de conteúdo que tenha fins comerciais.

Trata-se de um assunto polêmico e muito complexo, em que eu mesmo tenho opinião dividida, pois os dois lados têm argumentos, muito bons inclusive. E, é esse tipo de paradoxo que estamos vivendo hoje e que é tema da apresentação que faço no xTech Legal da SU, onde membros do judiciário como juízes, promotores, analistas e desembargadores participam.

O fato é que começaremos a ver uma regulação desse tipo de coisa, e, provavelmente vamos ter que expressar nossos desejos de forma oficial sobre o que autorizamos a fazer com nossa imagem antes de morrermos. Por exemplo, eu não gostaria de que uma imagem digital minha fosse associada à algumas marcas que não admiro e que não tenho alinhamento de valores, mesmo que seja uma peça publicitária incrível e que desperte emoções positivas em todos. Trata-se de um desejo pessoal meu que eu quero que seja respeitado. Por outro lado, eu autorizaria o uso de minha imagem para outras organizações com propósitos que eu acredito.

Em suma, trata-se de um tema que está sendo fruto de discussão há alguns anos e vai perdurar.

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De Volkswagen à Justin Bieber: como o Brasil utiliza a inteligência artificial de deep fake?

Tecnologias que se utilizam de inteligências artificiais estão produzindo vários ruídos, principalmente quando são utilizadas em alguma produção estética cultural. Isso não é novidade. Desde o começo do ano, o ChatGPT circula como uma alternativa e um instrumento que pode ajudar na prática do dia-dia, por exemplo e cada vez mais nossas ações se beneficiam destes novos instrumentos de automação.

Nessa semana, quem causou outro alvoroço foi campanha institucional da Volkswagen, que recriou a cantora Elis Regina – morta há 41 anos – para reencontrar sua filha, Maria Rita, em um dueto. No vídeo, Elis e Maria Rita estão dirigindo uma kombi, cada uma delas com o respectivo veículo de seu tempo cronológico, mas se encontram pelo caminho, cantando a música “Como nossos pais”, do Belchior.

A técnica usada para recriar este acontecimento, no comercial “Gerações”, se chama deep fake (deep learning + fake). Se trata do uso de uma inteligência artificial para criar vídeos, áudios, falas que não são verdadeiras, mas produzidas com uma inserção externa que não estava no conteúdo original.

Em 2017, uma febre aconteceu no Brasil: a troca de rostos e imagens de pessoas. Tal como o ChatGPT, este tipo de construção ficou aberta para quem quisesse, incluindo um plug-in famoso no Facebook, e vários aplicativos deixavam essa façanha muito próxima de qualquer pessoa com acesso ao conhecimento desta tecnologia e com internet.

Naquele momento houve uma discussão sobre os dados, que são fornecidos nesta pequena e inocente brincadeira. Com o tempo, a inteligência artificial passou a se recriar, ao ponto de algumas ferramentas que utilizam esta tecnologia deixassem seu código aberto.

Assim, ao mesmo tempo em que utilizava a tecnologia de machine learning, foi permitido que os usuários treinassem esse instrumento. Com o tempo, além da substituição, a rede neural passou a mapear o rosto de uma pessoa, unir ao corpo de outra e cada vez mais parecer ‘natural’ ou ‘verdadeiro’.

Então, com o passar dos anos, essa tecnologia performava leituras mundiais e tinha um sistema de feedback que permitia uma melhor execução a cada prática. Portanto, cada vez que os usuários utilizavam a imagem/vídeo ou faziam críticas ao processo, ele continuamente ia se aperfeiçoando.

Com o tempo, este software passou a ter uma melhor eficiência e conseguir estruturar melhores produtos com o montante de dados que foi reunido. Hoje o deep fake atua até de forma regenerativa, com alguns aplicativos de fotos e geração de imagens, que sugestionam ser as mais interessantes para aquela iniciativa.

Iniciativas brasileiras utilizando inteligência artificial

Em 2020, a Agência Pública já destacava que o uso de deep fakes era algo comum na vida do brasileiro. Naquele momento, éramos o segundo maior mercado do mundo neste quesito e o uso de novas tecnologias circulava em diversas camadas sociais.

Tal como no comercial da Volkswagen, Zico, lenda do Futebol e ídolo do Flamengo, teve um momento com seu pai, em um comercial do Mercado Livre, onde conversava e o ouvia mais uma vez, graças a produção de uma Inteligência Artificial.

Ainda sobre propagandas, a Samsung trouxe diferentes ‘Maísas’ em sua propaganda de Black Friday, em 2021, e fez esta brincadeira, com a atriz do passado e do presente, simultaneamente, para chamar atenção do seu público. Em outro momento, a NotCo usou uma inteligência artificial regenerativa para fazer as pessoas imaginarem animais ao fim de sua expectativa de vida, sem necessariamente passarem por um abate.

Maisas na propaganda da Samsung, na Black Friday 2021 (Divulgação)

Mesmo não sendo um uso efetivo de IA, é comum no entretenimento brasileiro utilizar remixes e ouvir músicas modificadas. Paramore e Péricles estão muito mais conectados do que pensamos, por exemplo. Mas, além disso, as vozes estão tomando outro rumo e novos covers utilizando IA estão ficando cada vez mais comuns.

Este ano houve uma polêmica sobre direitos autorais de vozes utilizadas para produzir músicas. As gravadoras e os artistas se reuniram para se protegerem desta nova oportunidade, que enxergam como ameaça, mas as reproduções continuam. O YouTube é recheado de covers inimagináveis até alguns anos atrás, como Freddie Mercury cantando Thriller, de Michael Jackson.

O uso destas inteligências artificiais é muito aproveitado no entretenimento brasileiro. Há muitas páginas de redes sociais que utilizam esta tecnologia como brincadeira. Alguns viram até personalidades, como o Justin Bieber brasileiro, por exemplo, que utilizava um aplicativo do Facebook com esta tecnologia de Deep Fake, ou o Manoel Gomes (famoso pelo hit Caneta Azul), que tem covers de clássicos nacionais.

Os exemplos são variados – temos até Will Smith baiano (brasileiro) que usa o aplicativo Impressions para modificar o seu rosto – e este tipo de utilização criou até um nicho que disputa espaços no mundo do entretenimento digital: Os sósias não fazem uso de nenhum aplicativo – são apenas parecidos com as personalidades mundiais – e fazem questão de se diferenciar destes famosos digitais, que utilizam Inteligência Artificial para ficarem semelhantes com estes ídolos mundiais.

Mais do que pensamos e menos do que parece: Quais os cuidados necessários que devemos tomar com esta tecnologia?

Deep Fake é algo comum em nossa realidade social digital. As redes sociais estão permeadas por estes acontecimentos, desde memes até vídeos que são usados politicamente para alguma estratégia. O famoso discurso falso, do ex-presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, produzido em 2017, mostrou isso. Vários pesquisadores mundiais destacaram e deixaram claro o tipo de cuidado que devemos ter sobre o uso deste instrumento.

Na época, vários problemas foram levantados sobre isso e que nossa atenção deveria ser mais cuidadosa. Hoje a Kaspersky, empresa global de antivírus, destaca que há um mercado (em alta) com essa tecnologia na dark web e é preciso um cuidado maior para enxergarmos como estes usos acontecem em nosso cotidiano.

O “Fake Obama” foi criado com o objetivo de conscientizar as pessoas sobre o poder da IA, em 2017 (Fonte: Divulgação)

Recentemente, houve o caso do vídeo de Zelensky, Primeiro Ministro da Ucrânia, em que declarava o fim da guerra contra a Rússia e que seu país estava rendido. Isso voltou a chamar atenção e criar uma preocupação para sabermos como é utilizado. Por isso, é necessário compreender que tipo de produto cada um de nós estamos consumindo, mesmo que chegue por Whatsapp ou pessoas confiáveis, além de procurar fontes de informações verdadeiras.

Agências de fatos e informações, páginas de notícias e repetições das mesmas informações em portais internacionais podem ser um caminho para verificar se nosso consumo nas redes sociais é verdadeiro ou modificado pela construção de uma pessoa que utilizou inteligência artificial.

Por isso, precisamos tomar alguns cuidados e fazermos trabalho de verificação. Nesse sentido, é necessário tomar conhecimento sobre a autoria (pois há escrita por inteligências artificiais e sem comprometimento ou responsabilidade da situação) do produto. Além disso, verificar o perfil da primeira mensagem ou de onde se sucedeu, pois há falsas personas feitas nas redes sociais (que já são criações de IA também).

Outro ponto muito discutido e que precisa de atenção é desconfiar de transmissões ao vivo. Já existem aplicativos, como o DeepFaceLive, que conseguem fazer lives e transformar o rosto da pessoa que está falando. É importante e crucial compreender quem é o autor e como a situação está sendo construída para nosso consumo. Mesmo que apenas ‘passamos tempo’ nas redes sociais, o terreno não é tão inocente quanto parece.