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Experiência Awe: Como se beneficiar das emoções num mundo cada vez mais tecnológico

Você se lembra da última vez que se sentiu impressionado com algo? Ou de quando fez algo que te tirou da sua zona de conforto? Jason Silva, criador da série online Shots of Awe, apresentador do programa Brain Games, do canal National Geographic – que lhe proporcionou uma indicação ao Emmy –, defende que as novas tecnologias serão capazes de despertar esse tipo de experiência nos seres humanos: a experiência AWE.

Mas, o que é uma experiência AWE? Awe é uma palavra inglesa que pode ser traduzida de várias maneiras, mas em relação a estados emocionais, pode ter como significado aquela “admiração” propiciada por um momento imensurável, daqueles tão grandiosos que transcendem nossa compreensão do mundo.

Jason Silva, em uma de suas palestras, definiu a experiência Awe como “uma experiência de tal expansão perceptiva, que você é forçado a readaptar seus modelos mentais do mundo.”



No entanto, você deve estar se perguntando: por que essas experiências são tão importantes para o cérebro humano?

Apesar de vários estudos oferecerem diferentes perspectivas sobre sua relevância para a humanidade – a primeira
pesquisa sobre a experiência “Awe” foi realizada em 1757 por Edmund Burke e gerou uma grande revolução –, essas experiências geram um alto nível de empatia e aumentam o comprometimento do indivíduo com o coletivo social. Além disso, também são responsáveis por estimular a criatividade, o bem-estar, a compaixão e a quebra de padrões.

Num futuro cada vez mais tecnológico e robotizado, devido aos avanços trazidos pela inteligência artificial, o desenvolvimento destas habilidades – como a empatia e senso de coletividade – pode significar uma grande vantagem competitiva.

Impacto na saúde

Jennifer Stellar, do Departamento de Psicologia da Universidade de Toronto, reuniu uma equipe para investigar o impacto que as experiências de Awe trazem à saúde e descobriu que esse tipo de experiência afeta o sistema imunológico por meio de citocinas, elementos responsáveis pelo controle de reação do nosso corpo a processos inflamatórios.

Embora as citocinas sejam necessárias como mecanismo de defesa do corpo, o excesso delas pode ser associado a doenças como Diabetes Tipo 2, doenças cardiovasculares, artrite, doença de Alzheimer, etc.

Entretanto, os efeitos da experiência Awe sobre o sistema imunológico são benéficos, e é por isso que a promoção de momentos de extrema admiração podem aumentar substancialmente a qualidade de vida das pessoas (e talvez, em muitos casos, até a prolongue).

A experiência Awe também pode ser usada como uma técnica de mindfulness, para garantir a atenção plena e trazer o pensamento das pessoas para o momento presente, ajudando assim quem sofre com crises de ansiedade ou até depressão. Um estudo realizado com sessenta e três alunos descobriu que essa sensação de vastidão e admiração pode aumentar a percepção de que o tempo é abundante e, portanto, reduzir a impaciência.

Criatividade, empatia e colaboração social

Ainda de acordo com os estudos realizados por Jennifer Stellar, a experiência Awe promove em cada indivíduo a curiosidade, a empatia, a necessidade de saber mais e de se integrar em atividades sociais e colaborativas. Em experimentos nos quais as pessoas precisavam encontrar soluções ou respostas alternativas para determinadas perguntas, elas respondiam de forma mais criativa após assistir a um vídeo que lhe causava esse sentimento de grande espanto e admiração.

A tecnologia e a experiência Awe

As oportunidades para experimentar sentimentos de grande admiração estão sempre presentes no cotidiano, mas devemos estar abertos e atentos a eles. Jason Silva afirma que nos momentos em que você está em contato com a natureza, não precisa nem ser nada muito grandioso, mas apenas o fato de parar por um momento para observar o pôr do sol, já pode causar esse bem-estar. Entretanto, em um mundo onde a nossa atenção está sempre sendo roubada pela tela do celular, estas experiências acabam se tornando cada vez mais raras.

No entanto, a mesma tecnologia que pode acabar prejudicando esses momentos é a mesma que também pode promovê-los. Afinal, qual foi a última vez que você usou seu celular para assistir a algum vídeo que te deixou extasiado? As novas mídias e tecnologias terão o poder de impactar bilhões de pessoas, e se usadas com o objetivo de promover a experiência Awe, poderão criar uma geração de pessoas mais empáticas, criativas, com pensamentos ampliados e preparados para quebrar padrões, prontas para enfrentar os desafios do futuro.

“Parte da nossa humanidade são os nossos instrumentos e tecnologias externas. Nós construímos os instrumentos, mas depois, os instrumentos é que nos constroem.” – Jason Silva

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Os desafios do futuro-presente

Nikola Tesla, em 1926, nos trouxe as primeiras elucubrações e conceitos sobre um projeto que combinava um computador e um telefone: ao que ele chamou de “tecnologia de bolso”. À época poderia ter sido taxado de louco.

“Poderemos nos comunicar uns com os outros de forma instantânea, independentemente da distância. […] Poderemos nos ver e ouvir de modo tão perfeito como se estivéssemos conversando frente a frente. […] Os instrumentos pelos quais poderemos fazer tudo isso serão bastante simples, se comparados com nossos telefones atuais. O homem poderá carregar esse instrumento no bolso de suas vestes.”

Dezenas de anos depois, em 1971, quando Theodore Paraskevakos criou o primeiro protótipo e, em 1974, foi patenteado, o smartphone ainda era apenas uma grande novidade distante.

Foi somente em 29 de junho de 2007 que de fato ele foi apresentado ao mundo. Algo que mudaria radicalmente muitas vidas, organizações. Um gadget que criaria e destruiria mercados inteiros. A promessa de uma revolução na forma de como as pessoas viriam a se comunicar pareceu tímida diante do verdadeiro impacto que a humanidade estaria prestes a testemunhar.

Num incrível equilíbrio entre arte e tecnologia, o então CEO da Apple, Steve Jobs, subiu ao palco da MacWorld 2007 para apresentar o iPhone, um aparelho pequeno que faria caber 1000 músicas em qualquer bolso.

Era um modelo de smartphone com a inédita tecnologia touchscreen. Tão poderoso que agradaria aos mais heavy users tecnológicos e ao mesmo tempo tão intuitivo que poderia ser usado por crianças.

Steve Jobs fez projeções ousadas sobre o iPhone:

Vamos ver se conseguimos ter 1% do marketshare em 2008! E aí vamos em diante!
Steve Ballmer, ex-CEO da Microsoft, entretanto, numa declaração histórica disse que nenhum executivo se interessaria por um smartphone sem teclado. Profetizou objetivamente o fracasso do iPhone:

“Não há chance de o iPhone ganhar uma parcela significativa do mercado. Nenhuma chance.”

O fato é que a Apple superou a meta, atingindo 1,1% dos 1,21 bilhão de remessas mundiais de celulares no ano seguinte.

Apesar de soar estapafúrdia, a declaração de Ballmer se mostra justificada, fruto da tensão mercadológica entre Apple e Microsoft. No entanto, essas não foram as primeiras, e não seriam as últimas, controvérsias no crescente cenário tecnológico.

Alex Davies (articulista da Wired especializado em transporte) nos traz pontos de assombro no ambiente tecnológico. Ele diz que, nos últimos cinco anos, o carro autônomo passou de “talvez possível” a “definitivamente possível”. Em poucos meses foi de “inevitável” a “como alguém pensou que isso não era inevitável?”. Hoje o carro autônomo está no patamar de “comercialmente disponível”.

Por outro lado, numa surpresa às avessas, a naturalidade também habita alguns recantos do mundo da tecnologia. Há pelo menos um ano médicos já falam com certa naturalidade sobre telemedicina e robôs-cirurgiões.

Assim como patinetes elétricas se multiplicam misteriosamente pelas grandes metrópoles como opção de mobilidade a custos baixíssimos para pequenas distâncias, chatbots, hoje programáveis por pessoas sem nenhum conhecimento técnico, estão cada vez mais populares e já não é grande surpresa (aliás, já totalmente aceitável) interagir com/por meio deles em nossos mensageiros instantâneos.

Não se assuste se alguém disser que as transformações estão apenas começando. Ao que tudo indica, as previsões feitas por Ray Kurzweil em sua seminal apresentação “A University for the Coming Singularity” no palco do TED em 2009 estão se mostrando próximas da realidade. Se tudo correr conforme seus prognósticos, em 10 anos (2029), segundo Ray, teremos um computador com a mesma performance do maior, mais poderoso e mais emblemático sistema de processamento de informações de que já se teve notícia. Teremos um computador com a mesma performance de um cérebro humano.

E, ainda segundo uma de suas mais ousadas predições, traçando o crescimento exponencial da tecnologia, em apenas 41 anos (2060), nossos computadores alcançarão a mesma capacidade de processamento de 7 bilhões de cérebros humanos. Teremos um supercomputador tão poderoso quanto a soma do processamento de todos os habitantes do planeta em 2019.



Se essas previsões nos causam algum estranhamento é porque, de forma geral, estamos acostumados a pensar em mudanças com incremento (ou redução) de 10% em relação ao que vemos a nossa volta. São traços de uma mentalidade que nos acompanha como espécie há dezenas de milhares de anos. Um legado ancestral que nos impede de ter a compreensão necessária sobre o impacto da curva exponencial das tecnologias e toda a nova complexidade que traz a reboque.

Não estamos preparados cognitivamente para entender a revolução que está acontecendo, mas podemos observar pelo menos dois fatores que promovem o contraste entre as antigas e novas formas de pensar:

Durante toda a nossa história enxergamos o mundo de forma local. Ou seja, sempre entendemos a realidade dentro de um perímetro de proximidade, onde analisamos somente aquilo que nos toca e o que é visível a nossos olhos.

No entanto, com o desenvolvimento da tecnologia, o mundo inteiro se transformou numa grande rede global. Nessa nova realidade hiperconectada e ultracomplexa, outrora longínquos pontos de tensão e mudança nos afetam a todos. Independentemente da distância, e mesmo das arenas mercadológicas onde ocorrem, movimentos sutis podem gerar grandes mudanças.

Por exemplo, uma startup de tecnologia com pouquíssimos recursos, como o WhatsApp, formada por um norte-americano e um ucraniano em 2009, pôde criar um aplicativo de mensagens que coloca em xeque todo um mercado, aparentemente distante, como o das operadoras de telefonia no Brasil.

Outro fator é o pensamento linear, também arraigado em nossa espécie, que nos faz pensar no futuro como uma extensão serial do passado e do presente. Afinal, sempre foi assim.

Por toda a nossa história, usamos nossas referências do passado para construir o futuro. No entanto, por conta da velocidade das transformações e do impacto gerado pelas novas tecnologias, o futuro está se mostrando completamente diferente (e muitíssimo mais rápido) do que foi vivido. Além de não termos mais repertório adequado para basear as decisões diante dos novos desafios, os próximos movimentos de indivíduos e organizações deverão acompanhar o ritmo das novas tecnologias. Precisarão ser cada vez mais rápidos. Deverão crescer também numa escala exponencial.

A EasyTaxi nos traz um exemplo brasileiro de negócio disruptivo, altamente lucrativo, que alinha tecnologia e impacto social. Expandiu sua operação para mais de 20 países no período de um ano. Nos mostrou um movimento que rompe o tradicional crescimento linear/incremental vigente nos negócios da Era Industrial, para uma ascensão de características exponenciais perseguidas pela nova economia.

Estamos vivendo, portanto, uma profunda transição: novas realidades e novos negócios obedecendo a dinâmicas não mais locais, mas globais. Onde é preciso desenvolver velocidades e trajetórias não mais lineares, mas exponenciais.
Somos impulsionados por tecnologias que se multiplicam rapidamente.

Em ritmo de mudanças cada vez mais acelerado, nossos cérebros, aquelas poderosas máquinas de processamento, estão hoje lutando para se adaptar e acompanhar as novas realidades. O resultado: surpresa, desconforto e excitação.

Testemunhamos um cenário que será transformador em todas as camadas — sociais, ambientais, políticas e econômicas. Uma realidade cujo fator de adaptação, de maneira contraintuitiva, não diz respeito exatamente à tecnologia em si, mas a um novo modelo mental necessário para entender, adequar e tirar o melhor proveito dessas mudanças em nossas vidas, nossos empregos, nas organizações e, inclusive, no nosso país.

As mudanças tecnológicas trazem consequências que, mesmo distantes na aparência, provavelmente vão influenciar seus negócios. Estamos todos, indivíduos, líderes e organizações, diante talvez do maior desafio de nossa história: como nos preparar para um mundo diferente, global, exponencial e até mesmo inimaginável, que vai chegar mais rápido do que parece?

As famosas ondas de Schumpeter, que antes aconteciam em ciclos de 60 anos, parecem estar chegando a intervalos tão curtos quanto a fundação de uma startup em qualquer ponto do planeta.

Ainda segundo os preceitos da chamada Destruição Criativa, em vez de seguir a velha trajetória evolutiva linear, será preciso romper os padrões do passado. Abandonar o velho para dar lugar ao novo.

Torna-se mandatório o exercício de um olhar fresco, mais transversal e sistêmico, considerando fatores de complexidade em outros níveis de referência. Será preciso estudar, aprender e criar metodologias para antecipar tendências e gerenciar mudanças. Inspirar e empoderar pessoas, empreendedores, líderes e organizações com novos mindsets exponenciais para gerar mudanças positivas e promover crescimento social, político e econômico.

De Tesla a Steve Jobs, passando pelos carros autônomos, robôs-cirurgiões, patinetes elétricas e supercomputadores, as manifestações tecnológicas que nos cercam estão longe de ser totalmente compreendidas.

Arthur Clarke, o grandioso autor da ficção científica dizia que “Qualquer tecnologia suficientemente avançada é indistinta de magia”.

Portanto, o que nos espera no futuro talvez soe como fantasia a nossos limitados olhos contemporâneos.

Com atitudes futuristas, precisamos traduzir os sinais de tempos vindouros, para ajudar a sociedade e as empresas na tomada de decisões do agora.

André Bello future designer, professor, autor e TEDx Speaker.
Cofundador do Singularity University Brazil Summit e membro do Board GAME XP Innovators pela educação no Brasil.

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Organic Photovoltaics – A próxima fronteira da Energia

Energia tem sido o motor de crescimento da humanidade há séculos e vários estudos refletem a noção já consolidada da correlação entre o crescimento econômico e a demanda energética.

O que muitos ainda não racionalizaram é que o grande problema atual não é a escassez de energia e sim as crescentes emissões de gases de efeito estufa (GEE). A informação mais alarmante, nesse caso, é a correlação entre crescimento econômico (PIB global), demanda energética e mudanças climáticas (aumento da temperatura da superfície global e aumento do nível dos oceanos).

O descompromisso histórico com as emissões de GEE colocou o planeta em situação de alerta e traz a necessidade urgente de desenvolvimento sustentável. Nações – através do Acordo de Paris -, cidades – através do C40 – e grandes corporações – através do RE100 -, lideram os esforços para transição energética e reduções de emissões.

Uma rápida análise desse contexto nos leva à conclusão de que a transição para fontes de energia renováveis é inexorável e, ainda mais, a fonte solar, a mais abundante e disponível em todos os lugares, é a escolha óbvia e certa.

O poder energético do sol é 8000x maior do que a necessidade anual de energia da humanidade e esta já é a alternativa energética que mais cresce no planeta.

Quais são os desafios?

O primeiro desafio que fez com que a energia solar não fosse amplamente adotada há alguns anos foi o componente preço. Em 1977, os painéis solares de silício já estavam em escala industrial e custavam USD$ 76/Wp. Nos 10 anos subsequentes, a tecnologia caiu de preço 10x e, nos outros 30, mais 10x, fruto de inovação, melhores técnicas de produção, esforços de redução de custos e aumento de volumes de produção.

Além disso, o lobby realizado pelas grandes economias, indústrias petroleiras, automotivas e outras também retardaram esse avanço.

As barreiras hoje estão mais relacionadas às caraterísticas das tecnologias utilizadas atualmente.
Os painéis de silício já estão muito próximos dos seus limites de custos e performance. Por depender de um único material semicondutor, com limites definidos, a tecnologia do silício encontrou uma barreira física. Ainda existem as limitações de aplicação, que determinam orientações preferenciais, no que tange à instalação, e características do material (peso, opacidade, rigidez, etc.) que dificultam a logística e impedem a entrada em novos e inexplorados mercados.

Vale destacar, que os painéis de silício são ideais para integração em fazendas solares e geração centralizada de energia, e continuarão a crescer nos próximos anos. No entanto, essas limitações criam um grande dificultador para aplicação da energia solar no contexto dos grandes centros urbanos.

A próxima fronteira da energia

O sol nasce todos os dias, nas mais ermas regiões do planeta e brilha para todos. Fonte energética abundante, democrática e “infinita”.

Por que então não gerarmos energia próximo de onde ela é consumida? Como integrar a energia solar nas nossas cidades, nas nossas vidas? Como “humanizar” a energia?

Para tal, são necessárias tecnologias disruptivas que permitam a sua integração em diversas superfícies com beleza, facilidade de aplicação, transporte e design. Os painéis solares orgânicos (OPV, Organic Photovoltaic) são uma dessas tecnologias exponenciais disruptivas.

Criados a partir de polímeros semicondutores orgânicos (semelhante aos OLEDs), o OPV possui transparência, cores distintas, flexibilidade, leveza (aproximadamente 300g/m²), é fino (0,3mm de espessura) e possui a menor pegada de carbono entre todas as alternativas (20x menor que os painéis de silício).

O processo produtivo de impressão, rolo-a-rolo, de baixas temperaturas e consumo energético, contínuo e altamente escalável, com a utilização de matérias-primas orgânicas e abundantes na natureza, confere à tecnologia potencial de baixíssimo custo.

Essas características somadas permitem ao OPV possibilidades nunca antes almejadas: ter a energia solar integrada às nossas vidas de forma extensiva.



A sua transparência permite integração/aplicação em fachadas de vidro e claraboias (shoppings, por exemplo). O seu baixo peso justifica a integração em estruturas leves que não suportam o sobrepeso dos painéis de silício (galpões, mobiliário urbano). A sua flexibilidade possibilita curvas e estruturas com forte apelo para design (tetos de carros, árvores de energia). A alta absorção de luz difusa permite angulações, mesmo que não otimizadas, e aplicação em zonas com sombreamento por árvores, por exemplo. O forte apelo sustentável aproxima a tecnologia do consumidor final.

As aplicações são praticamente ilimitadas: fachadas de vidro de edifícios, carros, caminhões, claraboias, abrigos de ônibus, ônibus, barcaças, árvores de energia, dispositivos indoor, gadgets, mobiliário urbano, estruturas flutuantes, toldos, ombrelones, etc., etc., etc.

Quebrando paradigmas – a disrupção do mundo da energia

Nos últimos anos, meses, dias, temos vistos novas e incríveis tecnologias exponenciais causando verdadeiras revoluções e transformando indústrias inteiras. A disrupção ocorre quando novas tecnologias tornam as tecnologias anteriores obsoletas.

A próxima grande revolução pode acontecer no setor energético.

Os painéis solares tradicionais sempre foram vistos e tratados como verdadeiros cupons financeiros de longo prazo. Faz-se um investimento inicial para aquisição/instalação (CAPEX), espera-se uma geração de energia ao longo do tempo e em um determinado momento ocorre o retorno (payback financeiro). Após esse momento, há a apropriação econômica da energia até o fim da vida útil dos painéis (lucratividade).

A quebra de paradigma ocorre quando essas novas tecnologias trazem novos componentes para o mundo da energia solar. O OPV e seus benefícios vão muito além de uma relação de payback tradicional.

Estamos falando de um filme fotovoltaico que pode ser integrado a vidro, tecidos, lonas, policarbonato, fibra de vidro, telhas, concreto, superfícies metálicas e etc. E a partir do momento em que essa integração ocorre, esses materiais “passivos” se tornam superfícies funcionais que geram energia. Superfícies inteligentes que passam a ter um novo propósito, e é aí que as possibilidades se multiplicam.

Indo além, estamos falando de uma tecnologia para geração de energia com potencial de baixíssimo custo, eventualmente muito próximo a zero.

Se isso de fato se consolidar (e tudo indica que irá), seremos “forçados” (e isso não seria nada ruim) a migrarmos para modelos de negócios de Energy as a Service – EAAS, em que a monetização da energia estará muito mais relacionada aos serviços e às funcionalidades habilitadas por essas tecnologias do que à energia em si.

Assim como eu nunca vi uma nota fiscal de quilobyte (kB) do Google, que vende informação, provavelmente não veremos mais notas ficais de quilowatt-hora (kWh).

E quem você acha que fará essa disrupção? Serão mesmo as grandes companhias de energia?

Filipe Ivo Parceiro HSM

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Como a tecnologia das smart cities está ajudando a impedir que carros circulem ilegalmente pelas ruas

No centro do Brooklyn, há uma via comercial do bairro que está fechada para os carros. Tecnicamente, pelo menos. A Fulton Street é uma rua utilizada somente para o tráfego de ônibus, entretanto, cerca de 3.000 carros por mês passam por ela ilegalmente. Isso cria problemas para os ônibus e seus 20 mil passageiros diários, que precisam da pista livre para compensar o tempo em suas rotas lotadas, e para os pedestres e ciclistas, que também dependem da via livre de carros para uma viagem mais segura.

A Downtown Brooklyn Partnership, uma organização sem fins lucrativos que apoia o desenvolvimento local, queria acabar com o tráfego ilegal de carros nas ruas por um tempo, mas eles não sabiam de qual avenida esses veículos estavam vindo. Recentemente, descobriram que cerca de 84% dos carros ilegais estavam saindo da Flatbush Avenue, a movimentada avenida que corta a Fulton. Sabendo disso, a empresa começou a implementar novas sinalizações e monitorar de forma mais estrita a interseção para garantir que a rua permanecesse livre de carros.

Para isso, contaram com a ajuda da base de dados de uma startup chamada Numina, que usa sensores para medir todos os objetos na paisagem urbana e como eles interagem uns com os outros. Suas câmeras montadas em poste de luz capturam carros, pedestres, ciclistas e ônibus (bem como sacos de lixo, móveis de rua, carrinhos de bebê e muito mais). Elas detectam onde e quantos desses objetos diferentes estão se movendo pela paisagem urbana sem levantar as questões de vigilância que geralmente vêm com a tecnologia baseada em sensores: a Numina não usa o reconhecimento facial ou o sistema de detecção de placas de licença. Está apenas procurando por objetos e padrões.

Quando aplicada em uma paisagem urbana, a tecnologia pode rapidamente criar uma mudança tangível nas cidades. Mas enquanto essa nova tecnologia é uma categoria ainda em expansão – a AngelList conta com mais de 500 startups nos EUA -, as empresas, muitas vezes, lutam para provar aos outros e a si mesmas que ela pode, de fato, funcionar. Ao contrário do que acontece em algumas organizações de mídia social ou de privacidade de dados – que podem conduzir os pilotos por meio de canais digitais -, uma startup de tecnologia urbana precisa se inserir no ambiente para provar que é viável, e conseguir a permissão das cidades para executar pilotos de tecnologia urbana pode ser uma luta.

O New Lab, um centro de tecnologia do Brooklyn, inaugurado em 2016 para ajudar as startups a crescer, reconheceu esse desafio. Sua ideia é juntar empresas de tecnologia urbana e montar um piloto para ser aplicado no bairro. Dessa forma, a cidade po