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De Volkswagen à Justin Bieber: como o Brasil utiliza a inteligência artificial de deep fake?

Tecnologias que se utilizam de inteligências artificiais estão produzindo vários ruídos, principalmente quando são utilizadas em alguma produção estética cultural. Isso não é novidade. Desde o começo do ano, o ChatGPT circula como uma alternativa e um instrumento que pode ajudar na prática do dia-dia, por exemplo e cada vez mais nossas ações se beneficiam destes novos instrumentos de automação.

Nessa semana, quem causou outro alvoroço foi campanha institucional da Volkswagen, que recriou a cantora Elis Regina – morta há 41 anos – para reencontrar sua filha, Maria Rita, em um dueto. No vídeo, Elis e Maria Rita estão dirigindo uma kombi, cada uma delas com o respectivo veículo de seu tempo cronológico, mas se encontram pelo caminho, cantando a música “Como nossos pais”, do Belchior.

A técnica usada para recriar este acontecimento, no comercial “Gerações”, se chama deep fake (deep learning + fake). Se trata do uso de uma inteligência artificial para criar vídeos, áudios, falas que não são verdadeiras, mas produzidas com uma inserção externa que não estava no conteúdo original.

Em 2017, uma febre aconteceu no Brasil: a troca de rostos e imagens de pessoas. Tal como o ChatGPT, este tipo de construção ficou aberta para quem quisesse, incluindo um plug-in famoso no Facebook, e vários aplicativos deixavam essa façanha muito próxima de qualquer pessoa com acesso ao conhecimento desta tecnologia e com internet.

Naquele momento houve uma discussão sobre os dados, que são fornecidos nesta pequena e inocente brincadeira. Com o tempo, a inteligência artificial passou a se recriar, ao ponto de algumas ferramentas que utilizam esta tecnologia deixassem seu código aberto.

Assim, ao mesmo tempo em que utilizava a tecnologia de machine learning, foi permitido que os usuários treinassem esse instrumento. Com o tempo, além da substituição, a rede neural passou a mapear o rosto de uma pessoa, unir ao corpo de outra e cada vez mais parecer ‘natural’ ou ‘verdadeiro’.

Então, com o passar dos anos, essa tecnologia performava leituras mundiais e tinha um sistema de feedback que permitia uma melhor execução a cada prática. Portanto, cada vez que os usuários utilizavam a imagem/vídeo ou faziam críticas ao processo, ele continuamente ia se aperfeiçoando.

Com o tempo, este software passou a ter uma melhor eficiência e conseguir estruturar melhores produtos com o montante de dados que foi reunido. Hoje o deep fake atua até de forma regenerativa, com alguns aplicativos de fotos e geração de imagens, que sugestionam ser as mais interessantes para aquela iniciativa.

Iniciativas brasileiras utilizando inteligência artificial

Em 2020, a Agência Pública já destacava que o uso de deep fakes era algo comum na vida do brasileiro. Naquele momento, éramos o segundo maior mercado do mundo neste quesito e o uso de novas tecnologias circulava em diversas camadas sociais.

Tal como no comercial da Volkswagen, Zico, lenda do Futebol e ídolo do Flamengo, teve um momento com seu pai, em um comercial do Mercado Livre, onde conversava e o ouvia mais uma vez, graças a produção de uma Inteligência Artificial.

Ainda sobre propagandas, a Samsung trouxe diferentes ‘Maísas’ em sua propaganda de Black Friday, em 2021, e fez esta brincadeira, com a atriz do passado e do presente, simultaneamente, para chamar atenção do seu público. Em outro momento, a NotCo usou uma inteligência artificial regenerativa para fazer as pessoas imaginarem animais ao fim de sua expectativa de vida, sem necessariamente passarem por um abate.

Maisas na propaganda da Samsung, na Black Friday 2021 (Divulgação)

Mesmo não sendo um uso efetivo de IA, é comum no entretenimento brasileiro utilizar remixes e ouvir músicas modificadas. Paramore e Péricles estão muito mais conectados do que pensamos, por exemplo. Mas, além disso, as vozes estão tomando outro rumo e novos covers utilizando IA estão ficando cada vez mais comuns.

Este ano houve uma polêmica sobre direitos autorais de vozes utilizadas para produzir músicas. As gravadoras e os artistas se reuniram para se protegerem desta nova oportunidade, que enxergam como ameaça, mas as reproduções continuam. O YouTube é recheado de covers inimagináveis até alguns anos atrás, como Freddie Mercury cantando Thriller, de Michael Jackson.

O uso destas inteligências artificiais é muito aproveitado no entretenimento brasileiro. Há muitas páginas de redes sociais que utilizam esta tecnologia como brincadeira. Alguns viram até personalidades, como o Justin Bieber brasileiro, por exemplo, que utilizava um aplicativo do Facebook com esta tecnologia de Deep Fake, ou o Manoel Gomes (famoso pelo hit Caneta Azul), que tem covers de clássicos nacionais.

Os exemplos são variados – temos até Will Smith baiano (brasileiro) que usa o aplicativo Impressions para modificar o seu rosto – e este tipo de utilização criou até um nicho que disputa espaços no mundo do entretenimento digital: Os sósias não fazem uso de nenhum aplicativo – são apenas parecidos com as personalidades mundiais – e fazem questão de se diferenciar destes famosos digitais, que utilizam Inteligência Artificial para ficarem semelhantes com estes ídolos mundiais.

Mais do que pensamos e menos do que parece: Quais os cuidados necessários que devemos tomar com esta tecnologia?

Deep Fake é algo comum em nossa realidade social digital. As redes sociais estão permeadas por estes acontecimentos, desde memes até vídeos que são usados politicamente para alguma estratégia. O famoso discurso falso, do ex-presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, produzido em 2017, mostrou isso. Vários pesquisadores mundiais destacaram e deixaram claro o tipo de cuidado que devemos ter sobre o uso deste instrumento.

Na época, vários problemas foram levantados sobre isso e que nossa atenção deveria ser mais cuidadosa. Hoje a Kaspersky, empresa global de antivírus, destaca que há um mercado (em alta) com essa tecnologia na dark web e é preciso um cuidado maior para enxergarmos como estes usos acontecem em nosso cotidiano.

O “Fake Obama” foi criado com o objetivo de conscientizar as pessoas sobre o poder da IA, em 2017 (Fonte: Divulgação)

Recentemente, houve o caso do vídeo de Zelensky, Primeiro Ministro da Ucrânia, em que declarava o fim da guerra contra a Rússia e que seu país estava rendido. Isso voltou a chamar atenção e criar uma preocupação para sabermos como é utilizado. Por isso, é necessário compreender que tipo de produto cada um de nós estamos consumindo, mesmo que chegue por Whatsapp ou pessoas confiáveis, além de procurar fontes de informações verdadeiras.

Agências de fatos e informações, páginas de notícias e repetições das mesmas informações em portais internacionais podem ser um caminho para verificar se nosso consumo nas redes sociais é verdadeiro ou modificado pela construção de uma pessoa que utilizou inteligência artificial.

Por isso, precisamos tomar alguns cuidados e fazermos trabalho de verificação. Nesse sentido, é necessário tomar conhecimento sobre a autoria (pois há escrita por inteligências artificiais e sem comprometimento ou responsabilidade da situação) do produto. Além disso, verificar o perfil da primeira mensagem ou de onde se sucedeu, pois há falsas personas feitas nas redes sociais (que já são criações de IA também).

Outro ponto muito discutido e que precisa de atenção é desconfiar de transmissões ao vivo. Já existem aplicativos, como o DeepFaceLive, que conseguem fazer lives e transformar o rosto da pessoa que está falando. É importante e crucial compreender quem é o autor e como a situação está sendo construída para nosso consumo. Mesmo que apenas ‘passamos tempo’ nas redes sociais, o terreno não é tão inocente quanto parece. 

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“Quando você encontra propósito, você percebe como fazer um impacto positivo no mundo”, enfatiza Gary Bolles, ao falar sobre o futuro do trabalho

Uma das temáticas mais faladas na 9ª edição do Executive Program estava aliada às questões dos trabalhadores. O medo que se paira sobre a aplicação da inteligência artificial ainda ultrapassa as realizações e a maneira com que podemos ser beneficiados por esta nova tecnologia.

Por isso, Gary Bolles, especialista em Futuro do Trabalho pela SingularityU, destacou o quanto o papel de um bom líder é fazer com que seus colaboradores consigam enxergar esta ajuda. O “tsunami silencioso de IA”, como o próprio especialista nomeia, já está transformando cada um de nós e seu painel é ajudar todos os presentes a entender como aproveitar estes grandes avanços tecnológicos.

Mas isso não é uma responsabilidade do trabalhador. Gary destacou o quanto há a necessidade de treinamento, para que os mais habilidosos continuem com seus espaços e se aproveitem deste maquinário para operacionalizar algumas de suas ações.

Reconhecer a necessidade de uma liderança é colocar clareza na questão de governança, afinal, um líder não é necessariamente um gestor de área. Por isso, há todo um trabalho dentro de uma organização, dos conselheiros até os gestores de time, para proporcionarem diretrizes que encabecem este tipo de característica.

De início, o especialista em futuro do trabalho destacou que o ponto mais importante neste momento histórico é entender como aliar esta tecnologia exponencial ao trabalho, entendendo onde ocorrerão as substituições e como podemos ter trabalhadores que se utilizem de seus manejos.

É um trabalho que existe visão e percepção do que pode ocorrer. Por isso, Bolles dedicou seu tempo a mostrar que a I.A continuará dependente de nossa habilidade (skill) e, por isso, saber se utilizar dela será um diferencial. Ao mesmo tempo, precisaremos retornar aos propósitos e principais questões focais do nosso trabalho, com um propósito e objetivo claro, pois não podemos nos perder mais do que já ocorre.

Simultaneamente, Gary retoma a visão individual para falar sobre a necessidade de compreender a flexibilidade do trabalho. As lideranças precisam entender que há uma gama de atividades que não precisam necessariamente serem feitas no mesmo lugar e ao mesmo tempo. Em linhas gerais, o expert em Futuro do Trabalho mostra como há maneiras de fazer um trabalho, que não tem as mesmas preocupações, necessidades e atribuições.

Por isso, antes de tudo, é necessário ter um entendimento mútuo de execução e também saudável. Uma reunião pode acontecer online – ou até se tornar um e-mail -, enquanto uma demanda pode ser assíncrona em sua cadeia de produção, em lugares totalmente diferentes.

Isso é mais do que empatia: é cuidado de entender o outro. Afinal, mesmo que haja um objetivo coletivo, quando falamos de propósitos, há as características privadas. Cada ser individual tem suas necessidades e desejos, por isso, o papel hoje é compreender como isso pode ocorrer e a produção continue. Afinal, um indivíduo saudável é também um ser que continua com sua boa execução.

Esta é uma das principais regras que o mundo dos negócios precisa priorizar neste momento, segundo Bolles. Junto a isso, é necessário compreender qual a cadeia de governança que se cria na organização, a função transparente de cada um, a continuidade das diretrizes, o pensamento de crescimento e utilização das tecnologias exponenciais, enquanto há o adaptive skillset: a maneira na qual as gestões precisam entender a diversidade e peculiaridade das necessidades de cada um.

Quais são os próximos passos que deveremos ter?

A principal ação é compreender e destrinchar cada um dos elementos mencionados na organização. Nesse sentido, entender qual o foco de desenvolvimento que será dado (seja ele de mindset, de habilidades ou de tecnologias) e procurar o crescimento na sua empresa.

Ao mesmo tempo, criar regras de trabalhos flexíveis e que consigam cooperar mutuamente. A IA ajudará na operacionalização, por isso, Bolles destaca a necessidade de reconhecer a maneira como cada um dos colaboradores trabalham e tirar o melhor desta situação, definindo seus principais pontos de função.

Outra questão é definir e trabalhar com problemas, como uma maneira de antecipar e prever situações que podem não ser benéficas. Com essa precaução, a organização consegue diminuir seus danos e ter ações prontas para os acontecimentos possíveis. Com isso, junto ao treinamento e motivações dos times, o crescimento pode ser efetivo e as mudanças podem acontecer sem que a organização passe por uma tormenta desnecessária.

“Sempre há oportunidades e precisamos entender como fazer deste uso para que mais humanos consigam trabalhar com um bem-estar, assim o poder se transformará em solução”.

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Confira as 7 principais tendências para os negócios nos próximos anos!

O fim do semestre está chegando e nessa jornada de 2023 vários eventos nos ajudaram a construir um panorama mais claro sobre o mundo dos negócios. Tivemos o South by Southwest (SXSW) e Web Summit Rio, que reuniram grandes nomes do universo de inovação e criatividade. O que não faltou foram grandes insights e aprendizados!

Por isso, Learning Village, o 1º Hub de Inovação e Tecnologia, com foco em Educação e Desenvolvimento de Pessoas da América Latina, HSM e SingularityU Brasil resolveram reunir as principais tendências para os próximos anos, trazendo takeways deste primeiro semestre para nos mantermos alinhados com as principais considerações deste ano!

Para ter acesso ao report completo, basta fazer o download abaixo:

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Open Class: entenda como aplicar Inteligência Artificial na sua empresa

A tecnologia mais discutida neste ano, e que apareceu em vários momentos no SXSW e Web Summit, foi o de Inteligência Artificial. Foi notória a abordagem sobre este tipo de tecnologia: a preocupação quanto a instauração desta instrumentalização no mundo dos negócios e quais os impactos que poderiam causar na nossa sociedade.

Este será um dos pontos centrais do Executive Program, que terá como foco compreender as tendências mais recentes das tecnologias exponenciais e como podem ajudar na conquista do seu objetivo de negócio. Para se inscrever, basta clicar aqui e aproveitar os três dias de imersão que teremos agora em junho!

Além disso, a SingularityU Brazil convida todos os interessados a participarem da Open Class exclusiva com Alexandre Nascimento, expert em Inteligência Artificial, que também estará no Executive Program ao lado de outros grandes especialistas em neurociência, futurismo e tecnologia.

Esta aula acontecerá no dia 22 de junho, às 19h30, ao vivo no youtube de forma gratuita. Para acessá-la, basta clicar aqui e se inscrever.

Não perca esta oportunidade!

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Na ânsia da automação, será que as pessoas continuarão tomando os mesmos cuidados sobre suas ações?

No último dia da quinta edição do xTech Legal, o Learning Village recebeu painéis sobre inovação e tecnologia, com conversas sobre os impactos que o trabalho jurídico vem sofrendo por conta das transformações tecnológicas: desde sua produção diária até seus enfrentamentos mais árduos.

A PL das Fake News é um exemplo de como a tecnologia foi colocada socialmente e só agora, depois de inúmeros casos problemáticos, está sendo reconduzida e discutida dentro do processo jurídico.

Transformações estão acontecendo em níveis distintos: no trabalho, com soluções mais imediatas e práticas do mundo digital; de construções de peças automáticas até novas maneiras de atendimento que utilizam bots para facilitar o caminho a ser percorrido na assistência jurídica.

O mundo digital implica neste tipo de transformação diária, principalmente por conta do modelo dataficado de reconstrução, reaprendizado e pelo interesse das grandes empresas que possuem estas fontes de informação.

Estas transformações tiveram uma aceleração grandiosa por conta da pandemia, mas são processos que já fazem parte de uma ideia de otimizar e tornar a a atividade mais produtiva. Com a globalização, a comunicação, relacionamento e as trocas comerciais passaram a ser quase imediatas e, quanto menos tempo, melhor para nosso contexto econômico.

Em consonância com essa situação, Alexandre Nascimento, expert da SingularityU Brazil e pesquisador de Stanford, trouxe várias perspectivas das mudanças que as novas tecnologias estão trazendo no mundo atual – especialmente nas questões relacionadas à inteligência artificial.

Hoje, há uma ação de se apropriar destes modelos de automação para o trabalho humano: desde reconhecimento social e cultural, como trabalhos de social listening, até construções de robôs para atuarem em trabalhos de maquinários.

Outro exemplo disso é para atuações sociais: diversas cidades do mundo já possuem olhos robóticos nos lugares estratégicos mais importantes para controle, regulados por indicações humanas e performadas pelas máquinas.

Os carros estão passando por uma mudança de controle automático, sem a necessidade de um motorista humano. As redes de assistência e relacionamento já se encontram com estas transformações.

E até o corpo humano também participa deste processo: cada vez mais estamos procurando maneiras de criar extensões não-humanas em nossa carne, seja com um chip, seja um órgão. Além disso, a nossa maneira de se relacionar também está passando por mudanças: desde com quem, que pode ser não-humano, até em qual lugar, como os ambientes imersivos que criam vidas digitais.

O que hoje mais chama atenção é a “capacidade” da inteligência artificial. Junto a estes processos, ainda ecoa no mundo um alarde sobre o que este tipo de tecnologia pode criar, e o medo sobre substituir a criatividade humana é latente.

O ChatGPT, ChatSonic e Dall-E 2 são exemplos desta nova onda de inteligências artificiais que foram colocadas para uso na internet. A ideia destas criações, em forma de IA aberta, é tornar este tipo de tecnologia mais bem aproveitada, percorrendo os circuitos socialmente presentes. Ao mesmo tempo, ainda faz um trabalho de experimentação social, na tentativa de enxergar se haverá um aproveitamento deste tipo de tecnologia processo de trabalho e produção humana.

Não é surpresa para ninguém que há uma ambição por trás disso: quanto maior a produção e mais eficiente, menos tempo perdemos com tarefas mais simples e podemos otimizar os processos de trabalho. É disso que se trata o auxílio destes artífices.

No entanto, algumas questões que cerceiam a apropriação deste modelo tecnológico na produção cotidiana: qual o impacto deste tipo de tecnologia nos trabalhos hoje existentes? Eles vão substituir a mão-de-obra? Chegamos no momento alarmista da “Era das Máquinas”, como este alvoroço indica?

Nesse sentido, aprofundamos este assunto com o pesquisador e expert da SingularityU Brazil, Alexandre Nascimento, na tentativa de entender se o trabalho no meio jurídico mudará ou se há uma mudança no contexto social que precisamos ficar atentos. Além disso, tiramos algumas dúvidas sobre a real capacidade e impacto deste novo tipo de tecnologia neste momento tão conturbado.

Como isso impacta o trabalho jurídico?

Há uma tendência em acreditar que chegamos a um momento de automação eficiente e clara, em que as leituras da nossa experiência e domínios dos nossos hábitos já são bem apropriados pelos robôs criados. Isso não é o que verdadeiramente acontece hoje.

Alexandre deixou claro o quanto é cético sobre a ideia de substituição de profissionais da área jurídica por profissionais especializados em IA ou prompters para utilização de inteligência artificial para automação completa no setor no curto prazo, por conta das limitações da tecnologia frente aos desafios intrínsecos ao direito e do sistema judiciário:

“Hoje isso não é possível. Precisamos de mais tempo, principalmente tentando desenvolver tecnologias particulares às ações e regiões necessárias. Este nível global de inteligência artificial torna as ferramentas como o ChatGPT, falhas. Ela mente e reproduz algo que viu em outro lugar, sem aprofundamento.”

Para o expert da SingularityU Brazil, o componente humano se fará necessário por um longo período, e, a parceria homem-máquina é que trará grandes resultados no setor. Por isso ele vê muito mais a atualização dos profissionais com o conhecimento do setor para que utilizem a tecnologia no longo prazo, do que a substituição dos profissionais da área por prompters ou engenheiros de IA.

Ainda sobre o ChatGPT, ele afirma que os grandes modelos de linguagem não são uma solução universal, e, apesar de que vieram para ficar, eles se tratam muito mais de uma poderosa forma de melhorar a parceria homem-máquina para o futuro que está sendo construindo, onde teremos cada vez mais nossa inteligência ampliada por IAs. Por isso, ele afirma que o principal ponto será a criação de Inteligências Artificiais especializadas, híbridas e relacionadas ao que é proposto, dentro da área e temática sugerida: “Vamos viver um momento de ânsia por automação e depois iremos perceber pela qualidade dos resultados que não era possível resolver tudo com o ChatGPT, e, vamos repensar essa  apropriação muito rápida. Espero que poucos cometam este erro e sejam cautelosos no que irão automatizar.”

Afinal, é necessário que a tecnologia tenha um treinamento do modelo de linguagem. É também crucial que encontre um banco de dados direcionado para o serviço prestado, em virtude de que compreenda a lógica particular daquele local, olhe as documentações necessárias e que consiga gerar uma decisão que não seja apenas a repetição de algo muito similar ou análogo, mas em outro contexto.

Para o cientista, este tipo de tecnologia será crucial para trabalhos mais repetitivos e que auxiliem em operações constantes que fazemos hoje em dia, mas:

“Precisamos de mais tempo, principalmente tentando desenvolver tecnologias particulares às suas áreas de atuações e regiões coordenadas pelo planeta. Este nível global de inteligência artificial torna as ferramentas, como o ChatGPT, falhas. Elas mentem e reproduzem algo que viu em outro lugar, sem aprofundamento.”

Afinal, é necessário que a tecnologia tenha um treinamento do modelo de linguagem. É também crucial que encontre um banco de dados direcionado para o serviço prestado, em virtude de que compreenda a lógica particular daquele local, olhe as documentações necessárias e que consiga gerar uma decisão que não seja apenas repetitiva.

No meio jurídico, isso é ainda mais crucial por estarmos decidindo questões sociais vitais. É neste ponto de diferença que Alexandre deixa clara a necessidade de um ser humano neste papel analítico. Apenas a repetição, hoje, não dá conta de partes da cadeia produtiva. A IA disponível de forma aberta e pública, sem um processo cuidadoso de preparo para cada contexto específico, ainda não tem profundidade em todos os assuntos possíveis e é insuficiente em seus aprofundamentos.

Então, quais são os impactos que o trabalho jurídico sofrerá nos próximos anos?

A principal questão é entender onde está a repetitividade do trabalho que hoje é feito. As novas tecnologias podem ajudar no processo de produção, tornando criações repetitivas, categorizações e modelações mais ágeis desde que tenham mãos humanas neste processo. Afinal, é o trabalhador que dará habilidades comportamentais e algumas demandas que o mercado precisa.

Tal como a internet fez, e isso acontecerá na maioria (se não todas) as profissões, todos precisarão compreender o machine learning e como cada inteligência artificial apropriada funciona. O computador exigiu isso há alguns anos e agora os programas mais inteligentes necessitarão deste olhar.

Um letramento digital será necessário, mas, Alexandre deixa claro que: “As pessoas tomaram um susto com tudo isso, mas a substituição completa de pessoas por algoritmos não vai acontecer, porque todos precisam de qualidade em seus trabalhos que exigem uma gestão humana. A IA pode dar escala, mas sem a supervisão humana num setor tão crítico como o jurídico, ela pode dá escala ao erro e a injustiça, gerando problemas sociais. O que devem compreender é que há a necessidade de enxergar como utilizá-la em sua aplicação.”

“Todos descobriram um jeito de colar”

O susto tomado pelo mundo sobre o processo OpenAI foi produzido pelo encontro de uma nova fonte de produção, que busca diferentes leituras para produzir os processos designados: fotos, textos, vídeos, comerciais, histórias e narrativas. Foi notável o baque de medo ao compreender que uma criação nossa poderia dar sentido aos objetos ao nosso redor, coisa que a humanidade, desde seus primeiros momentos de existência, faz individualmente.

Porém, novos instrumentos utilizam bases de experiências já construídas e repetem o processo. É neste estágio, hoje, que as inteligências artificiais se encontram. Inclusive, há quem diga que este tipo de tecnologia não é nem artificial e muito menos inteligente, como Kate Crawford propõe.

O fato aqui não é este, mas nossa tarefa é entender o processo social que está por trás disso. De qualquer maneira, as IAs, hoje, são fontes de referência. Por isso, a maior tarefa, hoje, é saber se (1) deve ou não e (2) como alinhar este instrumento em suas produções cotidianas. Por este motivo, os cuidados precisam ser redobrados e precisamos entender que a automatização não pode ser prioridade acima da qualidade.

Alexandre destaca a necessidade de não se atropelar nesse processo e reconhecer que há um desenvolvimento, mas não uma confiança cega à priori em se apropriar deste tipo de tecnologia. Afinal, dilemas morais também estão presentes nesse contexto, ainda mais quando falamos sobre o processo jurídico. Nem sempre a melhor defesa é a mais rápida ou a de lógica pragmática dedutiva, como o ChatGPT usa, por exemplo.

É necessário revisar e atuar criticamente em qualquer criação de IA. O melhor a ser gerado nem sempre está nas leituras prévias e experiências passadas. Além disso, precisamos ter um cuidado com a questões que transformarão nosso entendimento de valor moral social, principalmente sobre responsabilização e culpabilidade dentro do processo jurídico.

A tarefa não é fácil, mas precisamos clarear o assunto muito antes de dar passos largos. O fenômeno do futurismo sempre compreende previsões e inferências, mas poucos entendem que isso é um processo reflexivo, que exige parâmetros para dar estes saltos de entendimento e muito cuidado.

A IA foi criada para resolver problemas. Este tipo de modelo tecnológico utiliza um conjunto de dados, a partir de experiências de terceiros, codifica algumas questões e a reutiliza. É, hoje, uma reprodução e, por isso, antes de continuar este processo, é necessária uma atenção, cuidado e direcionamento.

Além disso, como Alexandre Nascimento indica, os próximos passos são as atenções particulares: entender como esta tecnologia pode auxiliar em processos globais, mas que se caracterizam diferentemente em cada região do planeta, desde os valores morais aos processos produtivos. Por isso, antes da automação, é preciso retomar o processo humano e suas ações com os maquinários, tomando mais cuidado ainda por conta do impacto reprodutivo que isso implica socialmente.

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“IA ajuda advogados mais experientes no dia-dia e os mais novos sofrerão com essa automação de novas tecnologias”, afirma CEO da Batista Luz.

No último dia de xTech Legal (11/05), o Learning Village recebeu Luis Felipe, CEO da Batista Luz, para falar sobre as transformações que a tecnologia está proporcionando nos escritórios e, principalmente, na prática jurídica.

A questão central sobre o papo com os desembargadores, juízes e advogados presentes se deu pela questão da produção. Luis enfatizou o quanto seu trabalho se tornou mais rápido e mais ágil, principalmente na construção de peças e apresentações, que são criadas pelas inteligências artificiais.

O CEO do escritório Baptista Luz deixou claro que esta ação é mais rápida e prolífica para sua empresa, principalmente por conseguir olhar mais demandas e ter o cuidado de participar mais de forma analítica e estratégica, ao invés de organizar e despender tempo com peças, construções de processos e primeiras conversas com os interessados.

O último dia do xTech Legal 05 contou com a presença do CEO da Batista Luz para juristas de todas as regiões do Brasil.

Com este tipo de ação, Luis reconheceu que alguns trabalhos serão impactados, como já estão sendo. Juniores e estagiários estão perdendo lugar para estes novos trabalhadores humanos que fazem uso desta nova tecnologia para aumentar a produção.

Ou seja, a tarefa não é eliminar cargos e sim fazer com que novos trabalhadores tenham habilidades de diálogo com a inteligência artificial, ao mesmo tempo que saibam das categorias necessárias no campo do direito, os chamados “Prompters”.

A ideia é: uma nova área que permita que o trabalhador do direito consiga interagir com a inteligência artificial, fazendo as perguntas necessárias e se aproveitando dessa construção e produção rápida para que o trabalho fique mais ágil.

O impacto pode demorar, pois há uma necessidade de que as faculdades/universidades se preparem para isso. Geralmente, o mercado inova primeiro e depois isso é reorganizado nas graduações e centros de pesquisa. Por isso, o profissional de direito do futuro terá algumas questões de atualização e transformação em sua área, em que alguns profissionais podem ficar em defasagem por este hiato entre as necessidades do mercado e o que se aprende na graduação.

Nova área e modelo de trabalho

Na conversa com os presentes no xTech Legal, a preocupação se deu principalmente sobre os impactos das tecnologias no trabalho. Vários pontos foram levantados sobre as produções, seus empregos, reconhecimento da inteligência artificial no trabalho, mas muito se falou sobre os prompters.

Além da questão de trabalho e produção, um ponto que chamou atenção na conversa foi a necessidade desta produção e em como isso derruba sua atratividade em seus anos iniciais.

O trabalho com inteligência artificial funciona de maneira simbiótica: o trabalhador utiliza a IA, com perguntas e demandas, criando peças e outras necessidades. Não é a IA que faz isso no automático, mas sim em simultaneidades. Sem revisão e em co-construção, o trabalho se torna mais rápido em 20 minutos.

Como atualizações de novas tecnologias é um tema extremamente delicado, pois há uma discrepância em nível de classes sociais, regionalização e situação global, a atratividade será um componente crucial para entender quais os tipos de produção que serão consolidados.

Luis Felipe aponta que já há um problema nisso hoje em dia. Muitos, principalmente sêniores, tendem a não utiliza-la e manter o mesmo serviço. O que, no futuro, continua atrasando o estabelecer de novas tecnologias nos processos de produção jurídico e até na demora de tomadas de decisão.

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“Ter o mindset flexível é imprescindível nesse momento histórico e passa pelo entendimento das nossas emoções”, afirma Carla Tieppo, expert em Neurociência da SingularityU Brazil.

No segundo dia de xTech Legal, Carla Tieppo, expert em Neurociência na SingularityU Brazil e coordenadora da pós-graduação em Neurociência educativa na Santa Casa, trouxe uma incrível perspectiva sobre o bem mais precioso que temos: nossas próprias emoções.

Na Grécia Antiga, Platão e Aristóteles já falavam que as particularidades e singularidades são nossas emoções. Até por isso, como algo tão sensível de ser compartilhado e difícil de explicado, as estas questões foram deixadas de lado no estudo da retórica, abrindo caminho para racionalidade.Isso se estende até os dias de hoje.

Passamos por mais de 3 mil anos de história e a tendência sempre foi suprimir este lado tão pessoal.Porém, como Carla Tieppo retoma: é exatamente ele que toma o cuidado de ampliar a nossa própria realidade.

Carla Tieppo é expert da SingularityU Brazil e abordou o tema de emoções no xTech Legal 5, em 2023

Talvez poucos tenham ouvido o filósofo Baruch Espinoza em seu tempo, pois estavam preocupados com outras questões (religiosas). Mas muitos estão ouvindo o que Antônio Damásio traz sobre essa realidade e Carla Tieppo trouxe insights claros e muito ricos sobre a necessidade do olhar para as emoções, procurando reaprender sobre a maneira com que vivemos o mundo, principalmente com tamanhas transformações digitais.

Afinal, é na emoção, como forma de entender a realidade, sentir o contexto e viver a experiência, que nós vivemos e construímos nossa compreensão de mundo. É na relação corpórea com o espaço, tempo e vivência que criamos constantemente, no centro do cérebro, todas as nossas memórias e aprendizagem.

Tudo isso depende da maneira com que qualificamos nossos sentidos e o estímulo neural. Nosso aprendizado e padrão de entendimento passa por estes aspectos. Por este motivo, Carla Tieppo trouxe a ideia de construir um cérebro preditivo: que consiga ter plasticidade adaptativa, seja vívido e revalide os próprios padrões.

Com esta capacidade é possível ter melhores condutas de execução, aprendizagem e adaptabilidade. Levando em conta todo o contexto que um indivíduo está inserido, é necessário compreender que o sistema emocional qualifica nossa experiência, além de ser o componente principal na questão de relevância e valor que damos a algo. É exatamente neste ponto que tomamos decisões e como iremos agir diante dos aspectos que o mundo nos proporciona.

São as nossas emoções que permitem aceitabilidade dos processos sociais. São elas que nos proporcionam uma ‘janela do mundo’, como Antônio Damásio propõe. Por isso, nossa conduta precisa estar atenta às construções de sentido que damos a nossa realidade, em virtude de reconhecer os tomadores de decisão existentes em nossa perspectiva e construir nossa própria compreensão dos nossos atos.

O desenvolvimento diário deve acompanhar os constantes aprendizados que o mundo exige, principalmente com as atualizações tecnológicas constantes. Como há muito estímulo, informações e novas perspectivas, segundo a expert, há a necessidade de compreender as próprias emoções, para que estejamos preparados.

Entender os novos aparatos tecnológicos, portanto, não se trata apenas de saber como fazer funcionar. É principalmente sobre construirmos nossa capacidade de aprendizado e conhecimento de mundo. A tecnologia está ao nosso favor, desde que aprendamos a utilizá-la como aliada.

O xTech Legal é uma iniciativa da SingularityU Brazil em parceria com o J.Ex que teve sua quinta edição realizada no Learning Village. Não deixe de nos seguir e ficar atento para as novas turmas que serão abertas. Além disso, os cursos sobre pensamento exponencial estão ofertados em nosso site.

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Como aliar tecnologia e justiça para que a sociedade se sinta amparada cotidianamente?

Essa é a pergunta que Ademir Piccoli, CEO e Fundador da J.Ex, fez para os juristas presentes no xTech Legal, nesta terça-feira (09), no primeiro dia de evento. O xTech Legal é uma parceria da SingularityU Brazil com o J.Ex e está em sua quinta edição levando discussões sobre tecnologias exponenciais para o poder judiciário brasileiro.

Sabemos que há questões que estão sendo reorganizadas na justiça brasileira. Pouco mais de 30% dos processos eram físicos e hoje a mudança para a digitalização já é algo irreversível, beirando os 97%.

Exatamente por este motivo, Ademir se propôs a compartilhar pensamentos e contribuir com as ideias que serão produzidas sobre este assunto nessa semana, começando com uma perspectiva exponencial sobre a questão de justiça existente no país.

Ademir Piccoli é CEO da J.Ex e participou do primeiro Executive Program antes de criar o xTech Legal.

O principal ponto destacado no painel se tratava de impacto social, afinal, não há justiça se não for aplicada em benefício da população brasileira. Para isso, Ademir demonstra como o crescimento de startups é importante para este momento, principalmente pelas complexas necessidades que cada uma destas ações de empreendedorismo pode dar conta.

Com isso, o xTech Legal se iniciou com a ideia de construir um pensamento exponencial com todos presentes. Começando pelo Propósito Transformador Massivo (PTM), afim de que a população aproveite dos benefícios sociais que a justiça precisa dar.

Isso não é uma tarefa fácil. Por isso, o painel mostrou como há uma necessidade de aliar a cultura digital, já disposta no contexto social, aos novos modelos em que a justiça está se construindo. Afinal, não é mais apenas o fórum, o tribunal e lugares em que nossa construção jurídica ocorre: está presente no virtual e quase todas suas ações são digitais.

Ao mesmo tempo, graças ao montante de startups que existem, é possível que o ecossistema jurídico brasileiro se beneficie destas constantes inovações e criem um desenvolvimento do senso de justiça com uma completude de serviços.

Um dos conceitos fundamentais da Singularity University, criado por Peter Diamandis, os 6Ds, é essencial para entender o momento de maturação do mercado.  O último D desses seis, o processo de democratização trata exatamente sobre isso.. É com o pensamento de transformar a justiça em uma realidade presente no social que a curva de disrupção pode acontecer.

Um exemplo é ao iniciativa Parceiro Digital, criada pelo governo do Amapá. Com parcerias nos estabelecimentos, os Wi-Fis permitem que qualquer pessoa use o site do Tribunal de Justiça, sem que necessariamente tenham internet. São estes tipos de soluções que criam noção de comunidade, vínculos e desenvolvem uma estrutura de apoio social – fazendo impacto na prática.

Ampliando olhares

Em sua fala,, Ademir destacou como este tipo de solução é algo único, singular e brilhante. Por isso, há muito espaço para este tipo de desenvolvimento e diferentes manejos são construídos, como em São Paulo e Recife já acontece.

Isso ocorre porque há uma série de atenções que precisamos tomar antes de qualquer decisão. Qualquer tomada de decisão jurídica precisa de um cuidado com a Segurança da Informação e, quanto mais utilizamos tecnologias digitais, mais precisamos conhecer este terreno que estamos construindo.

Além disso, pessoas que tenham este conhecimento e este tipo de instrumentalização são importantes neste momento. Lideranças atualizadas são importantes por suas perspectivas, olhares e entendimentos, desde a cadeia produtiva de trabalho, remota ou não, até o desempenho final.

Ao mesmo tempo, levantar dados e tentar criar um vínculo ao comunitário é uma maneira de trazer este impacto para uma comunidade. Lembrando que a sustentabilidade e cultura precisa ser um eixo de atenção, para que não haja tanto desgaste.

O xTech Legal é uma iniciativa da SingularityU Brazil, em conjunto com o J.Ex de Ademir Piccoli, que aconteceu no Learning Village. Não deixe de nos seguir e ficar atento para as novas turmas que serão abertas. Além disso, os cursos sobre pensamento exponencial estão ofertados em nosso site.

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“A faca que corta o pão é a mesma que pode matar alguém”, destaca CEO do RiR ao falar de IA enquanto uma ferramenta

De cara, no painel “Now What? How to Transform this experience into business results”,  com mediação de Poliana Abreu, Diretora de Conteúdo da HSM e Head da SingularityU Brazil, e participação de Luis Justo, CEO do Rock In Rio, destacou o quanto a inteligência artificial precisa ser lida, aprendida e utilizada com cuidado.

Não se trata apenas de um medo ou alguma complicação futura, como nos filmes. A questão atual foi trazida com um tom de cuidado, entendendo que a automatização é um processo que pode otimizar várias outras questões, mas precisam ter o trabalho humano para que os melhores resultados sejam conquistados.

Ao lado de Bruno Stefani, ex-Diretor Global da AB InBev, Luis Justo, CEO do Rock in Rio, e Juan Pablo Boeira, CEO da AAA Inovação, os especialistas destacaram como os novos modelos de negócio, que utilizam IA, são importantes para enxergar a complexidade do mundo que está sendo construído.

Poliana Abreu, Diretora de Conteúdo da HSM e Head da SingularityU Brazil, Bruno Stefani, ex-Diretor Global da AB InBev, Luis Justo, CEO do Rock in Rio, e Juan Pablo Boeira, CEO da AAA Inovação, no Web Summit 2023

Neste ponto, Luis Justo deixou claro que uma das maiores habilidades hoje é fazer com que a automatização seja um instrumento de utilização humana e não apenas uma condição final para a produção – tal como a Amrapali, no dia anterior. E olhar a tecnologia como uma ferramenta para a própria ação do ato de empreender.

Ao mesmo tempo, Poliana Abreu destacou o quão importante é a tentativa de continuar aprendendo e cada um dos especialistas destacou a sua respectiva estratégia. Desde uma autoanálise, tentando reconhecer hábitos e repetições, como aprender algo novo toda semana e tirar lições sobre as experiências que ocorreram.

Por isso, destacaram a principal ação que os levaram a ter o sucesso: a capacidade de se reinventarem e utilizarem a tecnologia ao seu favor, com “humildade e aprendizado eterno”, como destacou Juan Pablo Boeira, para conseguir aliar este instrumento às necessidades de cada negócio.

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Na contramão da inteligência artificial, fundadora do OnlyFans diz priorizar o olhar humano, além da automatização

Diferentemente do que acontece com a maioria das redes sociais, o OnlyFans tem uma rigidez em sua missão como empresa e isso não é negociável. Manter o contato direto com os ídolos, criando comunidades virtuais entre o produtor de conteúdo e o consumidor, passa por um trabalho que cada vez mais exige atuação humana.

A missão clara e inegociável foi tema do painel “OnlyFans: attracting creators and growing communities”, no Web Summit 2023, em uma conversa entre a fundadora e CEO do OnlyFans, Amrapali Gan, e a jornalista Emma Hinchliffe, da Fortune.

Segundo a CEO da rede social, isso começa muito antes do contato entre produtor de conteúdo e consumidor. A própria arquitetura virtual que é criada pela empresa define suas prioridades.

Com o objetivo de ser um canal direto, a plataforma age em favor do criador de conteúdo. Começando pela monetização, onde 80% do pagamento vai para seus influenciadores e apenas 20% fica com a empresa.

Além disso, diferentemente de outras redes sociais, não há algoritmos que comandam sugestões e recomendações. O OnlyFans mantém a conexão do criador com os fãs em um canal direto, inclusive, sem propagandas.

Isso permite uma liberdade maior em relação às outras redes sociais. As comunidades são criadas entre o ídolo e os fãs, sem um intermediário ali presente e a Gan deixou claro que não é do interesse da plataforma em desenvolver controles de inteligência artificial, mesmo recebendo vários pitchs de startups e projetos que envolvem automação destes pontos.

O OnlyFans, na contramão do que ocorre em várias empresas, tem uma equipe humana de trabalhadores ativos nas checagens de informações e rastreios digitais, tanto dos usuários quanto principais influencers.

Além dos criadores de conteúdos adultos

Essa rede social virou sinônimo de conteúdo adulto. Um exemplo recente disso foi exposto pela ex-BBB Key Alves, em horário nobre na Rede Globo, ao falar do quanto ganhava criando conteúdo na rede social. O uso massivo para este tipo de exposição ocorre por conta da rede social garantir a segurança dos conteúdos criados. Porém, o OnlyFans não se basta apenas nisso.

Na verdade, segundo Amrapali, a rede social mantém sua característica de liberdade de expressão, deixando na conta do criador de conteúdo a decisão do que será produzido.

Por esta razão há conteúdos mais livres e diferentes em relação às outras e o trabalho humano na rede social é continuar pontuando qual o tipo de público daquele influencer. Além disso, ao priorizar o olhar humano, o controle ocorre também sobre algumas condutas que violam as regras do espaço.

Uma das atenções que Amrapali chamou é para o segmento de lutas esportivas, em que há vários criadores de conteúdo de sucesso que estão neste segmento. Segundo a Fundadora e CEO, os criadores de conteúdo possuem muita estratégia e análise profunda do conteúdo que criam. Além disso, com o vínculo estreitado entre eles e seus fãs, o direcionamento fica mais claro e o consumo contínuo.