Essa é a aposta de Gabriel Vasquez, sócio da empresa de capital de risco Andreessen Horowitz, que participou, nesta terça-feira, do Web Summit Rio, no Rio de Janeiro.
No painel “Tech Trends: the A to Z”, Gabriel destacou que há um horizonte favorável para os negócios para healthcare. Ao ser perguntado sobre as mudanças regulatórias, em um cenário que parece ser de incertezas, Vasquez destacou que há uma oportunidade de criar negócios com base em análise de dados, procurando desenvolver um resultado que pode ser melhorado e tomando o cuidado de tornar o serviço mais eficiente.
É essa a prioridade no momento para o sócio da Andreesen Horowitz: entender como olhar para estas oportunidades.
Gabriel destacou a necessidade de entender como é o hábito emocional humano, pois ele é definitivo na tomada de decisões e não apenas a objetividade do sentido que é analisado. É dessa maneira que a inteligência artificial pode ajudar o consumidor, procurando entender as particularidades do serviço que é prestado.
Oportunidade no mercado
Ao ser perguntado sobre as próximas “minas de ouro”, Gabriel Vasquez destacou que há uma grande oportunidade no setor de seguros privados, já que, segundo o sócio da Andreesen Horowitz, apenas 25% da população possui um seguro privado.
“Pense nisso como uma grande oportunidade. Não só de obter um melhor serviço, mas também incentivos alinhados com a sua empresa, porque geralmente o seguro sabe qual o serviço é realizado entre as pessoas e as empresas de saúde. Assim, é possível tentar garantir a sobriedade da relação. Eu estou vendo muitos construtores inteligentes entrando neste espaço”.
É com essa dúvida e atenção pelo momento em que estamos vivendo, onde Ricardo Cavallini e Alexandre Nascimento, experts da Singularity University, conversam no Fork Podcast, sobre o papel, habilidade e potencialidade que as Inteligências Artificiais construídas, hoje, possuem.
Já adiantamos: a autoconsciência ainda não é possível: “principalmente pela tecnologia que temos e a maneira com que estudamos”, segundo Alexandre Nascimento.
Mas, então, por que tanto medo? Quais são os instrumentos que estão sendo construídos para que ela tenha uma automatização tão ágil e consistente? Qual o impacto da IA nos empregos do futuro? E o que a Inteligência Artificial não faz bem?
Nada como ouvir um especialista de inovação e I.A., como Alexandre Nascimento, para tirar suas dúvidas e continuar esta reflexão tão importante nos dias de hoje. Então, junte-se aos experts neste episódio do Fork Podcast, disponível no Youtube.
Por Onicio Leal Neto, Expert em Epidemiologia Digital e Futuro da Saúde na SingularityU Brazil.
O Skoll World Forum chega à sua vigésima edição como um dos eventos mais importantes do mundo no segmento de empreendedorismo social, meio ambiente e governança. Criado pelo ex-fundador do e-Bay, Jeff Skoll, traz pautas relevantes com representantes da indústria, fundos de investimento, governo e terceiro setor.
O evento mobiliza a tradicional Universidade de Oxford por três dias para servir de palco de discussão de temáticas que vão desde ESG até empreendedorismo social, com participação de aproximadamente 1400 participantes de todo o mundo.
Inteligência Artificial e Responsabilidade
O destaque para o primeiro dia vai para Maria Ressa, ganhadora do prêmio Nobel da Paz e co-fundadora do Rappler. Durante a plenária, Ressa trouxe reflexões sobre como a inteligência artificial utilizada de maneira perversa pode ameaçar a democracia.
Ela comenta que, no ambiente digital, mentiras se espalham seis vezes mais rápido que fatos, gerando uma facilidade da disseminação de fake news e desinformação.
Sem fatos, não há verdade e sem verdade não há confiança.
E por design, companhias estão criando algoritmos cada vez mais aptos a superar a capacidade de julgamento dos usuários, indo no ponto mais fraco, que são suas emoções. Fazendo isso, a aderência à disseminação de elementos que não são verdadeiros, acaba sendo mais propícia.
Maria Ressa aponta que algoritmos são opiniões em código. Ela fala sobre o “friends of friends algorithm” que é uma maneira de reforçar o viés cognitivo nos ambientes digitais, fazendo com que as câmaras de eco sejam cada vez mais poderosas, reverberando dentro da mesma bolha apenas opiniões e desinformação e reforçando polarizações de discursos.
Maria encerra sua fala trazendo uma possibilidade para endereçar este desafio. Numa sociedade que cada vez mais será afetada pela inteligência artificial, um possível caminho para achar o ponto de equilíbrio entre o uso ético da inteligência artificial na sociedade é: no longo prazo, educação. Educar a próxima geração de tomadores de decisão será crucial para um futuro mais ético da aplicação de tecnologias.
No médio prazo, legislação. Governos e agências reguladoras precisam intervir e definir regras claras, transparentes e equânimes para a utilização em massa das IAs de maneira que estas não se tornem máquinas de automatização de desigualdades.
E por fim, no curto prazo, nós. A sociedade atual precisa ponderar os aspectos éticos e ter um olhar mais cuidadoso sobre o que o presente cenário se revela, evitando que os avanços das tecnologias signifiquem mais ameaças que benefícios para todos nós.
System Orchestrators e a complexidade facilitada
O destaque do segundo dia vai para a discussão sobre Systems Orchestrators. O conceito, criado na rotina de gerenciadores de sistemas computacionais, extrapola essas barreiras e chega para endereçar as conexões que criam impacto positivo no mundo.
Um mundo cuja complexidade diariamente exige um nível de ação do mesmo porte para a criação de soluções para os problemas globais que sejam escaláveis. Neste conceito, atores do setor privado e público facilitam parcerias e constroem redes para o desenho de soluções para problemas sociais urgentes. Um exemplo de system orchestrator é o International Council on Clean Transportation, que baseado em triangulações com academia, indústria automotiva e agências do governo. Ele gera evidências e propõe caminhos para transportes e mobilidade urbana com redução considerável da emissão de poluentes.
Outro interessante exemplo de system orchestrator é o negócio social brasileiro Conexsus – Conexões Sustentáveis. A instituição desenvolve projetos na área de bioeconomia em diversas regiões do Brasil, fazendo parcerias com o setor público e privado. Uma de suas atuações, por exemplo, é a concessão de microcrédito para pequenos empreendedores rurais que tem um impacto ambiental significantemente menor em relação aos grandes produtores, garantindo o desenvolvimento de negócios comunitários mais sustentáveis.
Durante a cerimônia de premiação do Skoll Award 2023, a Conexsus foi uma das 5 iniciativas vencedoras, recebendo US$2.25 milhões para a expansão dos projetos e aumento de impacto, sendo a única iniciativa brasileira neste ano a alcançar o prêmio.
Exponencializando o impacto
E chegando ao destaque do último dia, num fórum que discute iniciativas de impacto em milhões de pessoas, não há como ter deixado de fora temática de pandemias. No painel que discutiu se temos tudo o que é necessário para prevenir a próxima pandemia, o aspecto de engajamento de comunidades foi repetido diversas vezes.
A pandemia de COVID-19, além dos estragos econômicos e sociais que provocou (e ainda provoca), abriu portas para tecnologias que já existiam serem mais reconhecidas e valorizadas como a vigilância participativa, um tipo de crowdsourcing para combate de doenças.
A preparação contra uma próxima emergência em saúde pública não fica apenas a cargo dos governos ou instituições. Estes são cruciais para prover recursos e ações na mitigação dos riscos ou resposta às emergências. Porém a população tem um papel substancial no enfrentamento destes desafios.
Na Tailândia, a startup Opendream desenvolveu uma rede de fazendeiros que passaram a ser detetives de doenças, reportando as autoridades os óbitos de animais dos seus rebanhos. Isso acaba funcionando como um alerta antecipado de que um agravo à saúde pública pode estar surgindo, afetando primeiramente à saúde animal.
Outro exemplo foi a iniciativa Swasti, que já impactou diretamente 2 milhões de pessoas em 25 países com estratégias de fortalecimento de sistemas comunitários para saúde primária. A Swasti está também iniciando um programa de vigilância participativa para segurança de saúde global e resposta às pandemias.
A inclusão na agenda de combate às pandemias de um fórum tão estratégico para impacto global como o Skoll World Forum demonstra que precisamos continuar ativos na busca do melhor preparo para o enfrentamento da próxima emergência em saúde pública.
Na minha rotina de pesquisador, tenho a honra de participar diretamente no desenvolvimento de duas iniciativas inovadoras como preparação para a próxima pandemia. A primeira é a plataforma Global Flu View (www.globalfluview.org). Nós desenvolvemos um ecossistema digital que atua como orquestrador de sistemas ao redor do mundo, utilizando vigilância participativa no combate à Influenza. São mais de 20 milhões de datapoints provenientes de países como Austrália, Tailândia, Hong Kong e Estados Unidos, tornando estes dados acionáveis para instituições que podem atuar na resposta antecipada destes riscos à saúde global. O segundo projeto é o desenvolvimento de uma tecnologia vestível (wearable) para ser utilizada no mapeamento de contatos e quebra de ciclos de transmissão de surtos. Tudo isso de respeitando a máxima privacidade do usuário a partir do protocolo DP-3T, desenvolvido pelo time da pesquisa e hoje utilizado em todos os smartphones do mundo da Apple (iOS) e Google (Android).
O evento deixa claro a importância destas agendas no contexto de ESG, sendo uma chamada para que não só o governo e terceiro setor, mas também o setor privado entenda a necessidade de atuação nestes eixos.
Artigo escrito por Ricardo Cavallini, CEO da Makers e Expert da Singularity University.
Semana passada participei de uma discussão onde uma pessoa não acreditava que a IA poderia ferrar a humanidade.
Eu apontei diversas frentes para ilustrar.
Como bem lembrou Yuval Harari, a IA pode criar uma religião.
A IA pode ser o suprassumo das fake news. Se hoje a maior parte das pessoas não entende a diferença entre opinião e fato, imagina com uma IA controlando o discurso? E esta IA poderá responder apenas para uma ou duas pessoas, como acontece hoje com os monopólio das redes sociais.
A IA provavelmente será responsável por grande parte do código que usaremos daqui uns anos. Imagine ela controlando tudo, da sua geladeira a usinas nucleares.
No futuro, a IA poderá criar em grande volume armas biológicas, vírus e muito mais.
Daria para ficar horas aqui falando sobre possíveis formas da IA causar um mau tremendo a humanidade.
Claro, IA não é nenhuma bomba nuclear.
Mas será que a IA é mais ou menos perigosa que uma bomba nuclear?
O lançamento de uma bomba nuclear é algo bem controlado, poucas pessoas no mundo podem começar um ataque. Dado a inteligência emocional dos líderes atuais, isso já é bastante temeroso.
Criar uma bomba nuclear é difícil e muito custoso. IA será cada vez mais barato e acessível. O síndico do seu condomínio terá acesso para fazer alguma meleca.
A bomba nuclear não se auto duplica, criando uma ainda mais poderosa. A IA poderá fazer isso.
Os maiores especialistas em física entendem exatamente como funciona uma bomba nuclear e sabem como desarmá-la, se assim decidirem. No caso de IA, nem mesmo quem produz sabe explicar exatamente como funciona, quais seus limites e sua capacidade.
A bomba nuclear é o auge das armas de explosão e sua evolução é limitada. O que temos agora são os mísseis hipersônicos, que realimentam a guerra fria, mas não aumentam exponencialmente o poder de fogo.
No caso da IA, ainda estamos na infância da tecnologia. E a velocidade desta evolução também importa. Para entender isso, faço um paralelo com as próprias armas.
O arco e flecha foi inventado há muito tempo atrás. Do primeiro arco e flecha para a primeira arma de fogo, foram 60 mil anos. E não estou falando de uma pistola não, estou falando de armas feitas de cano de bambu e pólvora.
Dessas primeiras armas rudimentares de bambu até o tanque de guerra, foram 900 anos.
Do primeiro tanque de guerra pra bomba atômica, apenas 30 anos.
Percebe a curva exponencial? 60 mil, 900, 30.
ChatGPT e outras ferramentas de IA são como essas armas de cano de bambu. Elas já podem fazer algum mal, ainda bem limitado. Porém, na velocidade de evolução atual, não levará 30 anos para chegarmos na versão bomba atômica da IA.
A grande semelhança das duas é que a IA representará para essa nova geração ou que a bomba atômica representou para a minha. O medo do fim do mundo será uma constante.
Diretamente do SXSW, em Austin, a Head da SingularityU Brazil e Diretora de Conteúdo da HSM, Poliana Abreu, traz a sua visão sobre os pontos de reflexão que considera relevantes para qualquer profissional que queira entender o cenário atual e futuro da IA nos negócios e na sociedade. Confira abaixo o artigo escrito para o Meio&Mensagem.
Criador do ChatGPT conta no SXSW sobre as ferramentas terem a capacidade de ampliar a habilidade humana, mas requerem confiança para serem usadas com segurança
Greg Brockman, cofundador e presidente da OpenAI, empresa responsável pelo ChatGPT, participou de um dos painéis mais esperados pelo público do South by Southwest 2023, que está acontecendo nesta semana em Austin, Texas.
A conversa, conduzida pela jornalista Laurie Segall, abordou as questões éticas e perspectivas de futuro do uso da inteligência artificial generativa. Brockman compartilhou sua história como empreendedor e falou sobre futuro, mas foi um pouco evasivo em determinadas perguntas. Acompanhei o painel e, a seguir, trago a minha visão sobre os principais pontos de reflexão que considero relevantes para qualquer profissional que queira entender o cenário atual e futuro da IA nos negócios e na sociedade.
Acesso e democratização
O ChatGPT é considerado um “killer app”. Em pouco tempo, conquistou mais de 100 milhões de usuários, mas é um killer app, não porque não é uma tecnologia nova, mas sim porque é uma interface simples e acessível que democratizou o acesso à inteligência artificial.
A escala e a operacionalização são as duas peças fundamentais para tornar a tecnologia útil e prática. O fundamental aqui é a curva exponencial, que acumula valor à medida que a tecnologia é aprimorada e usada em vários modelos e linguagens. A inteligência artificial é uma tecnologia que pode ser usada em todos os campos da vida, desde negócios até entretenimento e experiências interativas.
Para Greg, o objetivo do ChatGPT é informar as pessoas e tornar a inteligência artificial acessível e útil para todos.
Vale ressaltar ainda que o foco não é o app ChatGPT em si, mas sim a plataforma para utilização de inteligência artificial para diversas aplicações. Senso de urgência
O que fez a Open AI sair na frente e lançar o ChatGPT antes de outras gigantes tecnológicas foi o seu senso de urgência.
Regulação e confiança
Para que a inteligência artificial seja usada de forma ética e responsável, é importante que a sociedade se adapte e que os formuladores de políticas públicas estejam envolvidos nas conversas. A regulação é transversal. Todos os setores precisam entender e estar inseridos na discussão.
O ChatGPT é usado por pessoas de diferentes áreas para melhorar seus textos, o que mostra como a inteligência artificial pode ampliar o que os humanos podem fazer. No entanto, é importante lembrar que a inteligência artificial não é perfeita e requer confiança para ser usada com segurança. “Queremos construir confiança. É a dor de aprender. Temos um time que olha para esses problemas e estamos tentando tornar a ferramenta mais confiável”.
As pessoas por trás do código
Brockman confessou que ainda não são rápidos o suficiente para resolverem os vieses no ChatGPT, mas que tem consciência que é preciso mais diversidade por trás dos códigos. “Assumimos que há muito a ser melhorado, como retirar os vieses do chatbot e a possibilidade de descentralizar cada vez mais nossa IA para que ela seja amparada em todo um ecossistema ancorado, principalmente, na comunidade”.
O futuro do conteúdo
O conteúdo não é mais “estático”, de forma que você não consiga mais interagir com ele. Estamos claramente nos movendo para um mundo onde ele é “vivo”. Você pode conversar e interagir com ele, criando possibilidades de apoiá-lo.
Humanidade como principal stakeholder
Brockman afirmou várias vezes que a missão da OpenAI é “criar uma IA avançada de forma segura e benéfica para a humanidade”.
Segundo ele, a humanidade é o stakeholder mais importante quando se trata de inteligência artificial. E medir o impacto da tecnologia na sociedade é crucial para garantir que ela seja usada de forma benéfica. O principal erro que pode ocorrer é, justamente, não entender os humanos.
Futuro da inteligência artificial generativa
“Nós estamos criando, praticamente, um novo tipo de internet ou algo muito similar a isso”. A respeito do futuro da inteligência artificial, ele acredita que a tecnologia será capaz de prever muitas coisas, inclusive o que os humanos querem e precisam. Ele acredita que a inteligência artificial será uma tecnologia tão presente quanto o celular e que ela irá transformar todos os campos de nossa vida. Brockman afirmou que é esse é o projeto mais importante, esperançoso e assustador da história humana. Para construir uma relação homem-máquina saudável, ele entende que o mais importante será dominar habilidades de alto nível, além de julgar e saber quando se aprofundar nos detalhes.
Quando perguntado sobre a coisa mais interessante que a IA pode fazer, ele foi rápido na resposta: fazer nossos sonhos virarem realidade e ampliar as habilidades humanas. E sobre o mundo com IA em 2050? Inimaginável! A única certeza é que seu crescimento é exponencial.
Confira os especialistas presentes no SXSW 2023, que acontece de 10 a 19 de março.
Falta pouco para começar o maior festival de criatividade, tecnologia e inovação do mundo, o South By Southwest (SXSW ou South by para os íntimos). Em sua 11ª edição, o SXSW traz como proposta principal apresentar uma nova abordagem sobre as transformações para o futuro que já está acontecendo, com um olhar estratégico para questões ESG. Além disso, Inteligência Artificial, ChatGPT, mudanças climáticas e representatividade no universo gamer são alguns dos temas discutidos em Austin, Texas, entre 10 e 19 de março.
Com o lema de superar a FOMO (fear of missing out) para dar lugar à JOMO (joy of missing out), oito pessoas do ecossistema da SU Brazil vão contar no blog e nas redes sociais (LinkedIn e Instagram) o que acontece de mais relevante dentro do SXSW. O evento já contou em edições anteriores com a presença de nomes como Mark Zuckenberg, Elon Musk, Barack Obama, Dolly Paltron e Lady Gaga.
Em 2023, estão confirmados palestrantes como Kyle Vogt, cofundador da Twitch, Dan Schulman, presidente e CEO do PayPal, e Ginni Rometty, CEO da IBM. As atrizes Kristen Bell e Tilda Swinton também marcarão presença. Tradição do SXSW, a futurista Amy Webb lançará mais uma vez seu report de tech trends com exclusividade para o festival.
Abaixo, conheça um pouco mais sobre os correspondentes SU Brazil:
Reynaldo Gama CEO da SU Brazil, Reynaldo é apaixonado por inovação. No blog, compartilhará suas ideias sobre as tendências dos negócios, futuro e novas abordagens para a inovação.
Poliana Abreu Poliana é Head da SU Brazil. Com sólido background em sustentabilidade, Poliana é apaixonada por questões ESG, assunto que vai procurar divulgar também. Além disso, Poliana é movida por educação e lifelong learning, temas que chamarão sua atenção no festival.
Carla Tieppo Além de trazer seus insights poderosos sobre neurociência para o blog e as redes da SU Brazil, Carla será uma das brasileiras que comporá o line-up do SXSW. A neurocientista comanda na quinta-feira 16, às 10h (horário local), o painel “Paris Olympic Games, a Neuroscience Experiment”. Junto a ela estarão Christiane Pelajo, jornalista e fundadora da Chris Pelajo Produções e Natasha de Caiado Castro, CEO da Wish International Events Management.
Letícia Setembro Futurista, Leticia Setembro vai compartilhar por aqui tudo o que há de mais novo em tendências e futuro. Apaixonada por inovação, também traz suas análises sobre o impacto das novas tecnologias
Glaucia Guarcello Glaucia é CIO (Chief Innovation Officer) da Deloitte Brasil e professora convidada de inovação corporativa da Singularity University. Recentemente apontada pela revista Época NEGÓCIOS como uma das mulheres mais importantes da inovação no Brasil, as conversas que Glaucia vai trazer por aqui girarão ao redor desta temática.
Eduardo Ibrahim Eduardo Ibrahim é expert em economia exponencial pela Singularity e um verdadeiro apaixonado pelo impacto das tecnologias exponenciais na economia. Frequentador de festivais de inovação e de contracultura, como o Burning Man, Eduardo provocará a reflexão de temas relevantes de contracultura e mudanças de paradigmas econômicos.
Renan Hannouche Renan é apaixonado por disrupção e inovação. Ele tem um olhar intenso para os diálogos improváveis e as novas tecnologias e vai compartilhar algumas de suas ideias e insights em inovação e disrupção.
Dante Freitas Na visão de Dante, a resposta para o futuro está na junção de pessoas e máquinas. Criador da teoria “humanware”, tem um olhar cuidadoso para o papel humano em um mundo liderado por máquinas. Como fã das conexões singulares, Dante vai falar aqui sobre tecnologias, humanidades e suas convergências.
Agora que você conhece nossos correspondentes, não deixe de incluí-los em seu radar!
Acompanhe o blog e as redes da SU Brazil para a cobertura completa (e exponencial) do SXSW.
Que o assunto “ChatGPT” está em alta, todo mundo sabe. Mas você já parou para pensar que a inteligência artificial generativa pode, de fato, mudar o mundo? Isto porque esta tecnologia consegue avançar sobre o único território pelo qual nós sempre acreditamos estar além da capacidade das máquinas: a criatividade humana.
Antes de explorarmos o potencial do ChatGPT, é preciso entendermos exatamente o que é esta tecnologia e como ela funciona. O ChatGPT é uma ferramenta de inteligência artificial generativa criada pela startup OpenAI. E o que é a tal “inteligência artificial generativa”?
Diferentemente das tecnologias de análises e previsões criadas a partir de bases de dados estáticas, as plataformas generativas possuem características avançadas de autoaprendizado, sendo capazes de gerar interpretações próprias de textos, imagens e obras de arte.
Para o especialista em IA da Singularity Brasil, Alexandre Nascimento, o ChatGPT tem a capacidade de mudar paradigmas na criação de novos conteúdos. “Por exemplo, eu não sou um ilustrador, mas agora eu consigo ilustrar, com um grau de qualidade bem razoável, o que imagino. Assim, a IA generativa aumenta a produtividade e reduz o custo de geração de conteúdo. Desta maneira, pessoas que não participavam desses mercados por barreiras técnicas ou financeiras agora podem participar”, explica Nascimento.
Artigo escrito por Poliana Abreu, Head da SingularityU Brazil e Diretora de Conteúdo da HSM
Mais importante do que ter a resposta, é ter a sabedoria para fazer a pergunta certa. Esta é uma das máximas quando falamos em desenvolvimento de liderança em ambientes complexos e marcado por muitas mudanças. A arte de fazer perguntas e o pensamento crítico sempre foram fundamentais para o avanço do conhecimento e para a tomada de decisões. Mas, com o surgimento da inteligência artificial generativa, essa habilidade tornou-se uma premissa.
A inteligência artificial generativa, como o ChatGPT, da Open AI, é uma tecnologia que permite a criação de novos conhecimentos, insights e soluções por meio da geração automática de conteúdo. Isso significa que profissionais agora têm acesso a quantidades massivas de informações ordenadas de forma original. Mas a qualidade das respostas depende diretamente da qualidade da pergunta. Com a euforia do ChatGPT já podemos observar, inclusive, o surgimento de empresas especializadas em vender “prompts” (enunciados, perguntas que são geradas pelos usuários do ChatGPT).
Outra habilidade importante é a capacidade de analisar as perguntas de forma crítica e, também, processar as respostas. Os usuários devem ser capazes de fazer esta análise atentamente; identificar padrões e tendências; e, finalmente, buscarem, em seu próprio repertório, conexões que sejam capazes de refinar suas perguntas com base nas respostas obtidas. Os chatbots de AI generativas podem ser incríveis ferramentas para aumentar a produtividade e uma nova forma de busca de informação na web, mas ainda é uma ferramenta “generativa” – faz novas combinações com informações existentes e não essencialmente criativa. Cabe a quem utilizar a ferramenta saber direcionar o conteúdo para a autenticidade.
Formular perguntas eficazes e a fazer a conexão de pontos não óbvios não é uma tarefa fácil. É preciso ter repertório e desenvolver habilidades como empatia e leitura de contextos para saber o que e como perguntar. Além disso, é importante ter uma boa compreensão do contexto, das fontes de informação e da linguagem para que as perguntas sejam precisas e relevantes. Sherry Turkle, antropóloga, socióloga e cientista de computação do MIT, estuda há anos este tema e questiona o motivo pelo qual a sociedade tende a confiar mais nas máquinas do que nos seres humanos. Isso faz com que nos afastemos das reais habilidades humanas. A meu ver, precisamos valorizar e confiar nas características humanas para que consigamos usar a tecnologia a favor de uma relação saudável e eficiente entre homens e máquinas.
Ao escrever esta reflexão, comentei com meu querido amigo e parceiro de trabalho da SingularityU Brazil – Renan Hannouche, sobre o a importância de saber fazer a pergunta certa e ele me presenteou com um novo aprendizado: a palavra pergunta em inglês é “Question” – quest, na linguagem dos gamers, significa: objetivo, propósito, a próxima missão. As “quests podem ser simples, como encontrar um objeto específico, ou mais complexas, envolvendo uma série de desafios a serem superados para chegar a um resultado. Fica a provocação e o convite para que, enquanto organizações e sociedade, comecemos a escolher melhor as nossas “quests” e direcionar o futuro para um caminho mais consciente e coerente.
*Parte deste texto, incluindo o próprio título, foi criado via Chat GPT (fazendo as perguntas certas, claro 😉)
Imagine uma coleção de livros – talvez milhões ou até bilhões deles – jogada ao acaso pelos editores em uma pilha em um campo. A cada dia a pilha cresce exponencialmente.
Esses livros estão repletos de conhecimentos e respostas. Mas como um buscador os encontraria? Sem organização, os livros são inúteis.
Esta é a Internet bruta em toda a sua glória não filtrada. É por isso que a maioria de nossas buscas por “iluminação” online começa com o Google (e sim, ainda existem outros mecanismos de busca). Os tentáculos algorítmicos do Google examinam e indexam todos os livros dessa pilha ímpia. Quando alguém insere uma consulta na barra de pesquisa, o algoritmo de pesquisa examina sua versão indexada da Internet, exibe as páginas e as apresenta em uma lista classificada dos principais acessos.
Essa abordagem é extremamente útil. Tão útil, na verdade, que não mudou fundamentalmente em mais de duas décadas. Mas agora, os pesquisadores de IA do Google, a mesma empresa que definiu o padrão para os motores de busca, estão esboçando um plano para o que pode vir a seguir.
A IA é o mecanismo de busca do futuro? Ao buscar informações, a maioria das pessoas adoraria perguntar a um especialista e obter uma resposta diferenciada e confiável, escrevem os autores. Em vez disso, eles pesquisam no Google. Isso pode funcionar ou dar terrivelmente errado.
Embora os mecanismos de pesquisa pareçam conter pelo menos partes de uma resposta, o fardo recai sobre o pesquisador para verificar, filtrar e ler os resultados para reunir essa resposta da melhor maneira possível.
Os resultados da pesquisa têm melhorado muito ao longo dos anos. Ainda assim, a abordagem está longe de ser perfeita.
Existem ferramentas de perguntas e respostas, como Alexa, Siri e Google Assistant. Mas essas ferramentas são frágeis, com um repertório limitado (embora crescente) de questões que podem responder. Embora tenham suas próprias deficiências, grandes modelos de linguagem como GPT-3 são muito mais flexíveis e podem construir novas respostas em linguagem natural para qualquer consulta ou prompt.
A equipe do Google sugere que a próxima geração de mecanismos de pesquisa pode sintetizar o melhor de todos os mundos, dobrando os principais sistemas de recuperação de informações da atualidade em IA em larga escala.
É importante notar que o aprendizado de máquina já está em funcionamento nos mecanismos de pesquisa clássicos de indexação, recuperação e classificação. Mas, em vez de meramente aumentar o sistema, os autores propõem que o aprendizado de máquina poderia substituí-lo totalmente.
“O que aconteceria se nos livrássemos completamente da noção de índice e o substituíssemos por um grande modelo pré-treinado que codifica de forma eficiente e eficaz todas as informações contidas no corpus?” Donald Metzler e co-autores escrevem no paper. “E se a distinção entre recuperação e classificação fosse embora e, em vez disso, houvesse uma única fase de geração de resposta?”
Um resultado ideal que eles imaginam é um pouco como o computador da nave estelar Enterprise em Star Trek. Os buscadores de informações fazem perguntas, o sistema responde de forma coloquial, ou seja, com uma resposta em linguagem natural, como você esperaria de um especialista, e inclui citações oficiais em sua resposta.
No artigo, os autores esboçam o que chamam de exemplo aspiracional de como essa abordagem pode ser na prática. Um usuário pergunta: “Quais são os benefícios do vinho tinto para a saúde?” O sistema retorna uma resposta matizada em prosa clara de várias fontes oficiais – neste caso WebMD e a Clínica Mayo – destacando os benefícios e riscos potenciais de beber vinho tinto.
Não precisa terminar aí, no entanto. Os autores observam que outro benefício dos grandes modelos de linguagem é sua capacidade de aprender muitas tarefas com apenas alguns pequenos ajustes (isso é conhecido como aprendizagem única ou poucas tentativas). Portanto, eles podem ser capazes de realizar todas as mesmas tarefas que os mecanismos de pesquisa atuais realizam, e dezenas de outras também.
Ainda é apenas uma visão Hoje, essa visão está fora de alcance. Modelos de grande linguagem são o que os autores chamam de “diletantes”.
Algoritmos como GPT-3 podem produzir prosa que é, às vezes, quase indistinguível de passagens escritas por humanos, mas eles também estão sujeitos a respostas sem sentido. Pior, eles refletem imprudentemente preconceitos embutidos em seus dados de treinamento, não têm senso de compreensão contextual e não podem citar fontes (ou mesmo separar fontes de alta e baixa qualidade) para justificar suas respostas.
“Eles parecem saber muito, mas seu conhecimento é superficial”, escrevem os autores. O documento também apresenta os avanços necessários para preencher a lacuna. Na verdade, muitos dos desafios que eles descrevem se aplicam ao campo em geral.
Um avanço importante seria ir além dos algoritmos que apenas modelam as relações entre os termos (como palavras individuais) para algoritmos que também modelam a relação entre as palavras em um artigo, por exemplo, e o artigo como um todo. Além disso, eles também modelariam as relações entre muitos artigos diferentes na Internet.
Os pesquisadores também precisam definir o que constitui uma resposta de qualidade. Isso em si não é uma tarefa fácil. Mas, para começar, os autores sugerem que as respostas de alta qualidade devem ser confiáveis, transparentes, imparciais, acessíveis e conter perspectivas diversas.
Mesmo os algoritmos mais modernos de hoje não chegam perto dessa barreira. E não seria sensato implantar modelos de linguagem natural nesta escala até que sejam resolvidos. Mas se resolvido – e já há trabalho sendo feito para lidar com alguns desses desafios – os mecanismos de pesquisa não seriam os únicos aplicativos a se beneficiar.
‘Early Grey, Hot’ É uma visão atraente. Vasculhar páginas da web em busca de respostas enquanto tenta determinar o que é confiável e o que não é pode ser exaustivo.
Sem dúvida, muitos de nós não fazemos o trabalho tão bem quanto poderíamos ou deveríamos.
Mas também vale a pena especular como uma internet acessada dessa forma mudaria a forma como as pessoas contribuem para ela.
Se consumirmos informações principalmente lendo respostas em prosa e sintetizadas por algoritmos – em vez de abrir e ler as próprias páginas individuais – os criadores publicariam tanto trabalho? E como o Google e outros fabricantes de mecanismos de pesquisa compensariam os criadores que, em essência, estão produzindo as informações que treinam os próprios algoritmos?
Ainda haveria muitas pessoas lendo as notícias e, nesses casos, os algoritmos de pesquisa precisariam fornecer listas de histórias. Mas eu me pergunto se uma mudança sutil pode ocorrer onde os criadores menores adicionam menos e, ao fazer isso, a web se torna menos rica em informações, enfraquecendo os próprios algoritmos que dependem dessas informações.
Não há como saber. Frequentemente, a especulação está enraizada nos problemas de hoje e se mostra inocente em retrospecto. Nesse ínterim, o trabalho continuará sem dúvida.
Talvez possamos resolver esses desafios – e mais à medida que eles surgem – e no processo chegarmos àquele computador de Jornada nas estrelas onisciente e agradavelmente falante que há muito imaginamos.
Enviar mensagens de texto pode não ser mais rápido do que falar, mas para muitos de nós é uma maneira natural de se comunicar.
Graças a uma nova interface cérebro-computador (BCI), pessoas com paralisia agora podem fazer o mesmo – com um toque especial. Ao imaginar os movimentos de escrever cartas, um homem com lesão na coluna foi capaz de traduzir pensamentos em texto, a uma velocidade que rivaliza com a digitação com o polegar em um smartphone. A 90 caracteres por minuto e uma precisão de mais de 90 por cento após a autocorreção, o sistema supera todos os registros realizados anteriormente com implantes neurais.
O crux é um algoritmo baseado em uma rede neural popular e muito poderosa – rede neural recorrente (RNN) – além de alguns truques da comunidade de aprendizado de máquina. O resultado é um implante neural que usa IA para converter sinais elétricos do cérebro, gerados quando alguém imagina escrita à mão em texto que é exibido em um computador em tempo real.
“Isso pode ajudar a restaurar a comunicação em pessoas que estão gravemente paralisadas ou‘ presas”, disse o autor do estudo, Dr. Frank Willett, do Laboratório de Próteses Neurais de Stanford. “Deve ajudar as pessoas a se expressarem e compartilharem seus pensamentos. É muito emocionante.”
“Mindtexting” pode ser apenas o começo. O estudo sugere que, contra a crença comum, a IA parece ser melhor na decodificação de sinais cerebrais que fundamentam nossos comportamentos mais complexos, em vez de simples – um convite para reimaginar o potencial de uma simbiose cérebro-computador.
“Embora ainda haja muito trabalho a ser feito, o estudo de Willett e colegas de trabalho é um marco que amplia o horizonte das aplicações iBCI [interface invasiva cérebro-computador]”, disseram os drs. Pavithra Rajeswaran e Amy Orsborn, da Universidade de Washington, que não participaram do estudo. “Como ele usa métodos de aprendizado de máquina que estão melhorando rapidamente, conectar os modelos mais recentes oferece um caminho promissor para melhorias futuras.”
Digitando sem as mãos O estudo faz parte do lendário projeto BrainGate, que liderou o desenvolvimento de interfaces neurais na última década para restaurar a comunicação em pessoas paralisadas. Para ser claro, esses “implantes” são fiéis ao seu nome: eles são microarranjos de minúsculos eletrodos em um chip que é inserido cirurgicamente na camada superior do cérebro.
BrainGate tem muitos sucessos alucinantes. Um é um implante que permite às pessoas pilotar braços robóticos com o pensamento. Outro sucesso ajudou pessoas paralisadas a moverem o cursor do computador com suas mentes em um tablet Android, expandindo seu universo digital para toda a esfera de aplicativos Android e, claro, e-mail e Google.
Tudo isso é possível porque o processador central, o córtex motor, ainda está intacto mesmo após a paralisia, pelo menos para movimentos relativamente simples, como alcançar ou agarrar. É como cortar o cabo do roteador sem fio: você perde o acesso online, mas a rede em si ainda está lá. Os implantes neurais tocam diretamente na fonte – os sinais elétricos que sustentam cada movimento nosso – decodificam-nos em uma linguagem que os computadores entendem e os usam para controlar outra saída: uma mão robótica, exoesqueleto ou um cursor na tela.
O problema? Usar sua mente para controlar um cursor para acertar letras em um teclado digital é terrivelmente lento. O implante de maior sucesso até agora tem em média 40 caracteres por minuto e requer cirurgia e treinamento. Mesmo um teclado de rastreamento ocular disponível no mercado que é não invasivo pode permitir que pessoas com paralisia digitem um pouco mais rápido.
O novo estudo teve uma abordagem completamente diferente: jogue fora o teclado.
Uma centelha de gênio O participante do estudo, apelidado de T5, é um participante de longa data do BrainGate.
Em 2007, T5 sofreu um incidente traumático que danificou sua medula espinhal e o impediu de mover-se abaixo do pescoço. Em 2016, o Dr. Jaimie Henderson, um neurocirurgião de Stanford, implantou dois chips microarray na “área da mão” do giro pré-central esquerdo de T5, uma parte do cérebro que normalmente nos ajuda a planejar e controlar o movimento. Cada chip continha 96 microeletrodos para acessar a atividade elétrica do cérebro. Esses sinais neurais eram então enviados a um computador por meio de fios para processamento posterior.
É aqui que entra a magia. Os neurônios são um grupo barulhento e decifrar sinais específicos – códigos neurais – que controlam movimentos únicos é incrivelmente difícil. Em parte, é por isso que atualmente é impossível para alguém imaginar uma carta e tê-la “lida mentalmente” por uma configuração BCI. Os sinais elétricos do cérebro que codificam para letras diferentes são muito sutis para qualquer algoritmo decodificar com precisão.
A solução alternativa do novo estudo é inovadora e totalmente brilhante. Como o processo de escrever letras do alfabeto é único para cada letra, raciocinou a equipe, ele pode acionar sinais neurais diferentes o suficiente para um algoritmo distinguir qual movimento imaginado – e seu sinal cerebral associado – corresponde a qual letra.
Para começar, o paciente T5 primeiro traçou uma letra individual repetidamente em sua mente (impressa, não cursiva). Embora sua mão estivesse completamente imóvel, disseram os autores, ele “relatou a sensação de que uma caneta imaginária em sua mão se movia fisicamente e traçava as formas das letras”. Em seguida, T5 passou horas imaginando escrever grupos de frases aleatórias.
Ao mesmo tempo, seus implantes capturavam sinais neurais relacionados à escrita de cada letra, que eram “notavelmente consistentes”. Os dados foram então usados para treinar um tipo de rede neural artificial chamada rede neural recorrente (RNN), que é “especialmente boa para prever dados sequenciais”. Como os RNNs tendem a ser famintos por dados, a equipe usou um truque chamado aumento de dados que reorganizou os sinais neurais anteriores, essencialmente gerando dados artificiais para fortalecer o algoritmo. Eles também injetaram algum ruído nos dados, com a esperança de que o eventual BCI fosse mais robusto contra pequenas mudanças na atividade cerebral.
Dominância do Mind-Texting Com o tempo, o RNN foi capaz de decodificar sinais neurais e traduzi-los em letras, que eram exibidas na tela do computador. É rápido: em meio segundo, o algoritmo pode adivinhar qual letra T5 estava tentando escrever, com 94,1% de precisão. Adicione alguma função de autocorreção comum que está em todos os smartphones e a precisão aumentou para mais de 99%.
Quando solicitado a copiar uma determinada frase, T5 foi capaz de “texto mental” em cerca de 90 caracteres por minuto (cerca de 45 palavras por estimativa), “a maior taxa de digitação que já foi relatada para qualquer tipo de BCI”, escreveu a equipe e uma melhoria dupla em relação às configurações anteriores. Sua digitação em estilo livre – respondendo a perguntas – em geral combinou em desempenho e atingiu a velocidade média de mensagens de texto com o polegar de sua faixa etária.
“O estudo de Willett e seus colegas de trabalho começa a cumprir a promessa das tecnologias BCI”, disseram Rajeswaran e Orsborn, não apenas para mensagens mentais, mas também para o que vem a seguir
A ideia de explorar algoritmos de aprendizado de máquina é inteligente, sim, porque o campo está melhorando rapidamente – e ilustrando outro elo sólido entre a neurociência e a IA. Mas talvez mais importante, o desempenho de um algoritmo depende de bons dados. Aqui, a equipe descobriu que a diferença de tempo entre escrever cartas, algo bastante complexo, é o que fazia o algoritmo funcionar tão bem. Em outras palavras, para futuros BCIs, “pode ser vantajoso decodificar comportamentos complexos em vez de simples, especialmente para tarefas de classificação.”
O novo sistema ainda não está pronto para as clínicas. Ele terá que ser testado em outras pessoas e ter algumas funções comuns de digitação adicionadas, como excluir ou editar texto. A equipe também deseja adicionar a capacidade de texto mental de letras maiúsculas e símbolos.
Mas o novo BCI não precisa funcionar sozinho. Outros BCIs que traduzem atividades neurais da fala em texto já existem, e é concebível para uma pessoa potencialmente alternar entre os dois métodos – escrita mental e fala – para se comunicar com outras pessoas. “Ter esses dois ou três modos e alternar entre eles é algo que fazemos naturalmente [na vida diária]”, disse a Dra. Krishna Shenoy da Universidade de Stanford, que supervisionou o estudo com o Dr. Henderson.
Mas isso é tudo para o futuro. O próximo passo imediato, disseram os autores, é trabalhar com pacientes que não falam, como pessoas que perderam a capacidade devido a um derrame ou doenças neurodegenerativas, ou aqueles que estão conscientes, mas não conseguem se mover, e restaurar sua capacidade para interagir com o mundo exterior. “A abordagem dos autores trouxe interfaces neurais que permitem a comunicação rápida muito mais perto de uma realidade prática”, disseram Rajeswaran e Orsborn.
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